SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

SALÁRIO DEFASADO

Preço da cesta básica exige salário mínimo cinco vezes maior, aponta estudo do Dieese

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O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou nessa quarta-feira, 8, seu boletim mensal sobre as variações do preço da cesta básica no país. O cálculo do Dieese é de que, com base nos atuais custos básicos de vida no país, o salário mínimo deveria ser de R$ 6.535,40, ou 5,39 vezes o mínimo atual, que é de R$ 1.212,00.

O preço da cesta básica caiu no país, em média, 1,55% em maio. Porém, no ano de 2022, o aumento é de 12,57%, e, no acumulado de doze meses, os produtos da cesta básica tiveram aumento de 20,69%. Nos primeiros cinco meses do ano, os 13 produtos pesquisados registraram alta: a batata (62,50%), o leite (31,05%), a farinha de trigo (26,88%), o óleo de soja (21,74%), a banana (20,44%), o café (18,27%), o pão (15,88%), o tomate (9,42%), a carne (6,82%), a manteiga (6,05%), o arroz (5,85%), o feijão (5,27%), e o açúcar (0,67%). Em doze meses, 11 itens ficaram mais caros: o café (64,58%), o tomate (40,57%), a batata (37,84%), o açúcar (34,23%), o leite (33,87%), banana (28,34%), o óleo de soja (26,63%), a farinha de trigo (25,27%), o pão (20,79%), a carne (15,38%) e a manteiga (14,85%). O arroz (-15,20%) e o feijão (-3,39%) ficaram mais baratos.

Para estimar o salário mínimo necessário, o Dieese considera que ele deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Assim, mesmo com a queda no valor da cesta básica no último mês, o salário mínimo vigente segue muito abaixo do necessário para a população. Em maio de 2022, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 120 horas e 52 minutos; em maio de 2021, a jornada necessária ficou em 111 horas e 37 minutos.

Fome aumenta

Como o Sintrajufe/RS noticiou nessa quarta-feira, 8, entre dezembro de 2020 e abril de 2022 aumentou de 19 milhões para 33,1 milhões o total de pessoas com fome no país, um crescimento de 57,4%. Em apenas um ano, 14 milhões de brasileiros passaram a conviver com a fome em suas casas. Em 2018, 5,8% dos brasileiros passavam fome. Em 2020, essa parcela subiu para 9% e, em 2022, chegou a 15,5%. A insegurança alimentar, ou seja, quando as pessoas não têm acesso regular e permanente a alimentos em quantidade e qualidade suficiente para sobreviver, atinge 125,2 milhões de brasileiros e brasileiras, ou seja, 6 a cada 10.

Os dados são da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) e fazem parte do 2º Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar.

Com informações do Dieese e do jornal Extra Classe.