SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

MUITO PARA POUCOS

Petrobras aumenta em 433% os dividendos distribuídos no terceiro trimestre e é a petroleira que mais paga aos acionistas no planeta, enquanto preço dos combustíveis volta a crescer

No terceiro trimestre deste ano, a Petrobras distribuiu aos seus acionistas 21,2 bilhões de dólares. Esse número é 433,7% superior ao que foi pago no mesmo trimestre de 2021 e coloca a empresa como a petroleira que mais repassou dinheiro aos investidores em todo o planeta. Em julho, o Ministério da Economia enviou um ofício às principais estatais pedindo para aumentar a receita com dividendos em 2022. Enquanto isso, os brasileiros e brasileiras seguem sofrendo com as novas altas nos preços dos combustíveis.

Só nos primeiros 9 meses de 2022, a Petrobras distribuiu US$ 33,67 bilhões –um aumento de 477,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda em relação ao terceiro trimestre, a distribuição de dividendos foi de 2,4 bilhões de dólares a mais do que a segunda empresa da lista, a Saudi Aramco, e 17,5 bilhões maior do que o que foi distribuído pela terceira colocada, a ExxonMobil. Isso em um contexto no qual a Petrobras foi a terceira mais lucrativa entre as petroleiras, atrás da CNOOC e da própria Saudi Aramco.

O aumento dos preços dos combustíveis, embalado pela política de Paridade de Preços Internacional (PPI), implementada pelo governo Temer e mantida por Bolsonaro, vem pesando no orçamento dos brasileiros. A última semana foi a quarta seguida em que houve aumento no preço da gasolina nos postos de combustíveis. O preço médio do litro avançou de R$ 4,91 para R$ 4,98 na semana de 30 de outubro a 5 de novembro, uma alta de 1,42%. De acordo com a ANP, o valor máximo do combustível encontrado nos postos na semana passada foi de R$ 6,99. O etanol e o diesel também subiram, o que gera impacto amplo na inflação, já que afeta a distribuição de alimentos, por exemplo.

O PPI vincula o preço às oscilações do mercado internacional, com base nos custos de importação, que incluem transporte e taxas portuárias como principais referências para o cálculo dos combustíveis. Por estar vinculado ao sistema internacional, a variação do dólar e do barril de petróleo tem influência direta no cálculo dos combustíveis da Petrobras. Em resumo, o governo “lava as mãos” e deixa brasileiros e brasileiras submetidos aos humores e crises da política e da economia globais.

Com informações do Poder 360 e do portal G1.