SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

COMBATE AO ASSÉDIO

MPT quer que ex-presidente da Caixa pague R$ 30,5 milhões devido a assédio sexual

O Ministério Público do Trabalho (MPT) quer que Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, pague R$ 30,5 milhões a título de indenização por assédio moral e sexual a funcionárias. No pedido feito à Justiça, a procuradora pede ainda que esse valor seja revertido para um fundo destinado à proteção de direitos trabalhistas.

Além disso, o MPT quer a condenação de integrantes, à época, do Conselho de Administração do banco, no valor de R$ 3 milhões. Seria por “omissão” na fiscalização dos atos de Pedro Guimarães. De acordo com o portal g1, na ação civil pública ajuizada na última quinta-feira, 29, durante a gestão do executivo houve “uma onda de afastamento por doenças mentais”. A média de afastamentos médicos dessa natureza foi de 277 para 354 ao ano.

O caso

As denúncias já vinham sendo feitas há algum tempo, mas o caso se tornou público em junho. No final daquele mês, Guimarães deixou a presidência do banco, depois que um grupo de trabalhadoras diretamente ligadas ao gabinete da presidência da Caixa, decidiu, no fim do ano passado, romper o silêncio e fazer a denúncia do assédio a que vinham sendo submetidas ao Ministério Público Federal. Cinco das vítimas falaram ao site Metrópoles, na condição de anonimato, para se preservarem. A publicação da reportagem rapidamente ganhou repercussão nacional na imprensa e no meio políticos, em especial, no Congresso Nacional, onde vários parlamentares se pronunciaram em plenário, solicitando a demissão do executivo.

As cinco vítimas relatam toques em partes íntimas sem consentimento, falas e abordagens inconvenientes e convites incomuns e desrespeitosos, incompatíveis com a relação entre o presidente do maior banco público do país e suas empregadas. Em um dos relatos, uma delas diz que uma pessoa ligada ao presidente do banco perguntou o que fariam “se o presidente” quisesse “transar com você?”. Segundo a denunciante, ele estava na piscina e “parecia um boto se exibindo”. Além disso, funcionárias recebiam chamados para ir no quarto de Guimarães, que costumava dar beliscões nas mulheres, entre outros relatos.

Uma trabalhadora que não quis se identificar com medo de retaliações, afirmou à Folha de S. Paulo ter sido puxada pelo pescoço e ter ficado em choque após o episódio. Segundo ela, os assédios de Pedro Guimarães aconteciam diante de todos, dentro e fora da instituição. O caso narrado à Folha ainda não chegou às autoridades. “Não falei antes com medo e vergonha, e agora me sinto culpada porque penso que se tivesse falado antes, outras mulheres não teriam passado pelo que passei, nem por situações piores”, afirma. Ela conta que, em uma ocasião, estava a sós com o presidente do banco, quando ele perguntou se ela “estava com ele”. A funcionária entendeu, à época, que a pergunta era em relação ao governo. Ela teria, então, respondido que sim. “Aí quando fui sair, ele me puxou pelo pescoço e disse: ‘Estou com muita vontade de você’. Saí da sala, em choque e chorando”, afirma ela. “Depois, em outro momento, ele já passou a mão pela minha cintura e foi abaixando, mas saí antes que piorasse”, denuncia ela.

Em entrevista à TV Globo, outra denunciante, que também não quis se identificar, disse que, entre um abraço e outro, Pedro Guimarães tocava em seus seios e em outras partes íntimas.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: Rede Brasil Atual.