SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

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Live semanal da Fenajufe discutiu teletrabalho e saúde

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A Fenajufe realizou, ontem, mais uma edição de sua live semanal, no programa Sala de Entrevista. O tema foi teletrabalho e saúde, tendo como debatedores a professora do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da UNB Ana Magnólia e do médico do trabalho e doutor em Epidemiologia Fernando Feijó. A mediação ficou por conta dos plantonistas da semana na federação, os diretores Cristiano Moreira e Edson Borowski.

O teletrabalho ou home office é modalidade adotada em alguns órgãos do PJU debatida nas instâncias da Fenajufe como forma de precarização dos serviços. Nesse período em que o isolamento social obriga a prática, há receio de que traga mais consequências danosas para os servidores.

Ana Magnólia, que desenvolve pesquisa sobre saúde de servidoras e servidores do Judiciário e do MPU no trabalho, alertou para o aumento de adoecimento físico e mental na pandemia. Além de desenvolver doenças como enxaqueca, dor nos olhos, dores orteomusculares, “o trabalhador solitário sofre de angústia, solidão, tristeza e insegurança”, afirmou.

A pesquisadora não concorda com o modelo de teletrabalho, que classificou como um modelo de “organização neoliberal”. A responsabilidade de oferecer condições de trabalho e acolhimento a funcionárias e funcionários cabe à organização empregadora, defendeu. Ainda na sua avaliação, a plataforma digital não oferece condições adequadas de trabalho e acarreta sérios problemas de saúde física e mental.

Para Fernando Feijó a precarização do trabalho remoto começa pela estrutura inapropriada do ambiente de trabalho e até o mobiliário contribui para o desenvolvimento de doenças. Aliado a isso, a jornada incerta de trabalho, a exigência no cumprimento de metas, a falta de interações coletivas são fatores que colaboram para o adoecimento. Feijó avaliou ainda que o trabalho remoto favorece o assédio moral nas organizações.

Na avaliação dos pesquisadores, a pandemia pode viabilizar a normatização do teletrabalho nas organizações. Ana Magnólia vê como “uma tendência”. Os dois foram unânimes em afirmar que os sindicatos devem discutir nas bases, de forma direta e precisa, o enfrentamento contra a imposição das organizações na exigência de produtividade e metas.

Eles entendem que, antes, o teletrabalho era visto como fator determinante para o agravamento de doenças no trabalho, hoje, sem perspectivas de terminar o isolamento social, é importante que as entidades reafirmem a luta em defesa da saúde da categoria. É preciso trazer de volta a afetividade, os gestos, o corpo que a “cibernética” nos rouba. É necessário humanizar os serviços.

Fonte: Fenajufe