SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

CORRUPÇÃO FARDADA

Linguiça quatro vezes mais cara, 163 investigados e ressarcimento de 5,2 milhões: militares confessam esquema de superfaturamento nas Forças Armadas no RS

Ler conteúdo

Uma investigação de fraude em licitações das Forças Armadas no Rio Grande do Sul terminou neste mês com a confissão de dois militares e a revelação de milhões desviados dos cofres públicos. O caso envolvia o superfaturamento da compra de linguiças, e a investigação aponta o envolvimento de 163 militares nas irregularidades.

Matéria publicada pelo site do jornal Zero Hora explica que o esquema começou a ser investigado em 2018, em Bagé, quando o Ministério Público Militar (MPM) percebeu que quartéis de Jaguarão e São Borja estavam comprando linguiças por R$ 56 o quilo, o dobro do valor previsto em edital e quatro vezes o preço de mercado na época. Com a investigação, foram detectadas inconsistências também em contratos para compra de bife de hambúrguer pelo 25º Grupo de Artilharia de Campanha, em Bagé. Duas semanas após a suposta entrega de uma tonelada do produto, o MPM vistoriou a unidade e encontrou apenas 50 quilos, com peso menor por unidade e marca diferente do exigido em edital.

Ao verificar contratos semelhantes, os promotores encontraram indícios de sobrepreço de até 500%, direcionamento de licitações, estelionato, lavagem de dinheiro, fraude contábil, formação de quadrilha, falsidade ideológica e corrupção. Conforme a investigação apontou, as dinâmicas de desvio já estavam padronizadas: as concorrências eram disputadas quase sempre por apenas três empresas, todas com o mesmo endereço, telefone, e-mail e contador.

Agora, quatro anos depois, dois investigados pelo esquema confessaram os crimes e assinaram acordo de colaboração premiada. Eles também estão ressarcindo os cofres públicos em R$ 5,2 milhões. Conforme a matéria de Zero Hora, os delatores, o dono e a gerente de um grupo empresarial, cujos nomes são mantidos em sigilo, admitiram desvios em contratos de compras de mantimentos para 65 quartéis do Exército e da Marinha. Ao todo, a investigação aponta o envolvimento de 163 militares nas irregularidades.

Com informações do jornal Zero Hora e Sul21