SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

LUCRO PARA UNS, DÍVIDAS PARA OUTROS

Grandes empresas ganham com pandemia e lucro aumenta 235%; desemprego, porém, não cai, e renda média segue em baixa

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Dados da consultoria de informações financeiras Economatica divulgados nesta semana mostram que, enquanto o povo vê sua qualidade de vida despencar, o lucro dos mais ricos aumenta cada vez mais. As grandes empresas brasileiras tiveram, em 2021, um aumento de 235% em seu lucro, chegando a um total de R$ 228 bilhões, contra R$ 68 bilhões em 2020.

Mesmo considerando que 2020 foi um ano atípico, com baixa nos lucros, o resultado de 2021 impressiona: é mais do que o dobro do verificado em 2019, quando foi de R$ 105 bilhões. A receita líquida dessas empresas também vem crescendo ano a ano, incluindo 2020: em 2019, o resultado foi de R$ 1,79 trilhão; em 2020, R$ 1,98 trilhão; em 2021, 2,61 trilhão. A rentabilidade sobre o patrimônio também cresce: 12,08% em 2019, 7,02% em 2020 e 20,49% em 2021. Os maiores volumes de lucros se concentram nos setores de energia elétrica e de alimentos e bebidas, justamente dois nos quais a população tem sofrido com a alta nos preços.

As pequenas e médias empresas, por outro lado, vêm enfrentando dificuldades e, muitas vezes, tendo que fechar as portas: do final de 2019 ao meio de 2021, mais de 600 mil dessas empresas encerraram as atividades. No segundo trimestre de 2019, o país tinha 4,369 milhões de empresas – a maior marca para o intervalo de abril a junho na série histórica, com dados a partir de 2012. O número passou a cair em 2020 e atingiu 3,788 milhões no segundo trimestre de 2021, conforme o IBGE.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o economista Van Dyck Silveira, presidente da Trevisan Escola de Negócios, comemorou os resultados das grandes empresas e apontou que, entre as causas do crescimento, estão as demissões. Isso porque, como aponta a matéria, “a pandemia trouxe muitas mudanças para o mundo corporativo, como o home office, mas também resultou em demissões e substituição de mão de obra por maquinários e novas tecnologias. Quando há recontratação de pessoal, o salário é menor”.

Enquanto isso, como o Sintrajufe/RS informou a queda da renda média e o aumento do endividamento; o desemprego, ao mesmo tempo, segue alto, sem reduções. No último trimestre (dezembro de 2021 a fevereiro de 2022), a taxa de desemprego se manteve estável, em 11,2%, com mais de 12 milhões de brasileiros e brasileiras nessa situação. Muitos dos empregados, ao mesmo tempo, estão em empregos precários, com poucos ou nenhum direito e com remunerações baixas. A renda média foi a menor já registrada para um trimestre encerrado em fevereiro: R$ 2.504 é o valor recebido em média por um trabalhador ou trabalhadora no país. O resultado da soma de desemprego e queda na renda só podia ser um: 77,5% das famílias brasileiras estão fechando o mês de março com alguma dívida. Esse é o maior percentual registrado nos últimos 12 anos, período em que a CNC realiza a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor.