SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

DESIGUALDADE

Enquanto inflação corrói salários e bate recorde de seis anos em janeiro, Bradesco tem maior lucro anual de sua história

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O Banco Bradesco encerrou 2021 com o maior lucro anual de sua história. Com um salto de 34,7% em relação a 2020, o banco lucrou R$ 26,2 bilhões no ano passado. Enquanto isso, para a grande maioria dos brasileiros, a realidade é outra, o que é demonstrado pela inflação que vem assolando os trabalhadores e as trabalhadoras e que teve, em janeiro, o maior índice para o mês nos últimos seis anos.

Em nota, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Jr., disse que o lucro recorde é resultado da “solidez dos fundamentos”. Na verdade, parte do lucro é originário de corte de custos por conta das milhares de demissões e das centenas de agências fechadas no último período. Perdem os trabalhadores e quem precisa acessar o banco, ganham os banqueiros – assim como o Bradesco, os outros principais bancos do país vêm batendo recordes de lucros.

Enquanto isso, a inflação de janeiro foi a maior para o mês desde 2016, alcançando 0,54%. No acumulado de 12 meses, o índice já chega a 10,38%, contra 10,06% registrados em dezembro. A alimentação no domicílio foi um dos setores que puxou a alta de janeiro, com aumento de 1,44%. Ou seja, o impacto é diretamente no bolso dos trabalhadores. Os principais destaques de alta entre os alimentos foram as carnes (1,32%) e as frutas (3,40%). Além disso, os preços do café moído (4,75%) subiram pelo 11º mês consecutivo, acumulando alta de 56,87% nos últimos 12 meses. Outros destaques de alta para os últimos meses foram a cenoura (27,64%), a cebola (12,43%), a batata-inglesa (9,65%) e o tomate (6,21%).

No fim do ano passado, a renda média dos trabalhadores e das trabalhadoras alcançou seu menor patamar desde 2012, chegando a R$ 2.459, 4% a menos do que nos três meses anteriores, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Embora o desemprego tenha registrado uma leve queda, ele segue alto, atingindo 13,5 milhões de pessoas (12,6%). A queda, porém, reflete ao mesmo tempo justamente a causa da redução da renda média: a acelerada precarização do mercado de trabalho.

A miséria também aumenta e quase 30 milhões de brasileiros já vivem abaixo da linha da pobreza, conforme estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de outubro de 2021. Desde lá, a situação pode ter piora, já que, ao criar o Auxilio Brasil, o governo de Jair Bolsonaro (PL) acabou com o Bolsa Família e com o Auxílio Emergencial – a “substituição” deixou 29 milhões de pessoas desassistidas (na comparação com 2020, o quadro é ainda pior: 50 milhões a menos recebendo o benefício). Por outro lado, em 2021 o Brasil passou a ter 40 novos bilionários, mesmo em meio à pandemia e à crise econômica que assola a população.