SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

COVID-19

Em live do Sintrajufe/RS, Pedro Hallal fala sobre passado, presente e futuro da pandemia no Brasil e no mundo

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O Sintrajufe/RS realizou nessa quinta-feira, 25, a live “Falta muito? Pandemia: o que esperar em 2022”. A atividade teve como painelista o epidemiologista, coordenador da pesquisa Epicovid-19 e ex-reitor da UFPel, Pedro Hallal, e propôs um debate sobre temas como saúde, vacinação, medidas sanitárias e perspectivas para o próximo ano. A mediação foi feita pelo médico do trabalho e integrante da assessoria de saúde do sindicato, Geraldo Azevedo, com apresentação da diretora do Sintrajufe/RS Cristina Viana.

Na abertura, Cristina lembrou que, desde o início da pandemia, o Sintrajufe/RS vem lutando para garantir condições sanitárias que protejam a categoria e, ao mesmo tempo, o acesso à Justiça para o conjunto da população. Ela destacou que os servidores e as servidoras nunca pararam de trabalhar, mesmo à distância, e que o serviço público tem sido fundamental para atender às demandas da sociedade neste momento de crise – apesar da falta de investimento do governo federal. Conforme destacou a dirigente, se não fossem as instituições públicas a tragédia seria ainda maior. Assim, defendeu, o serviço público fez a diferença, e agora está ameaçado pela tentativa do governo de implementar a reforma administrativa para destruí-lo com a PEC 32/2020.

Valorizar a ciência e os serviços públicos

O médico Geraldo Azevedo conduziu a conversa, apresentando perguntas e contextualizando as principais questões discutidas ao longo da live. De início, questionou Pedro Hallal sobre temas como os avanços da ciência no enfrentamento à Covid-19, o falso dilema entre economia e saúde e as maiores dificuldades encontradas pelos cientistas no último período. Para Hallal, a grande revolução científica no contexto da pandemia foi desenvolver a vacina em apenas um ano, sendo que o tempo mais comum é de cerca de cinco anos – isso só foi obtido graças a uma intensa colaboração científica internacional, apontou. Além disso, se colocou como desafio à ciência o enfrentamento ao negacionismo, notadamente no Brasil. Ao mesmo tempo, o especialista destaca um importante aprendizado: “entender quem esteve ao nosso lado quando precisamos: a ciência, o SUS e as universidades. Agora a população precisa reconhecer isso”.


Governo incompetente na saúde e na economia

Pedro Hallal também criticou a condução do governo federal durante a pandemia, afirmando que, se o país tivesse uma atuação na média dos demais, 80% das vidas perdidas no Brasil poderiam ter sido salvas – 500 mil brasileiros e brasileiras. Para ele, o presidente criou um “falso dilema entre economia e saúde”, que não condizia com a história da saúde pública – em geral, explicou, os locais com melhores desempenhos econômicos após uma crise sanitária são os que mais preservam vidas. Além disso, os próprios dados da pandemia e da economia mostraram que se tratava de uma “fake news”: “ Temos um governo que foi incompetente para salvar vidas e que foi incompetente para salvar a economia”, disse o especialista.

Falta muito?

A seguir, Hallal buscou responder à questão sobre o que esperar do futuro próximo, em meio à liberação das atividades e à preocupação com o aumento de casos na Europa. Para ele, estamos muito mais perto do fim do que do começo da pandemia e é possível retomar as atividades, desde que mantendo os cuidados necessários e seguindo protocolos seguros. Sobre o que está ocorrendo na Europa, avalia ser improvável que aconteça no Brasil, já que a população brasileira tem procurado se vacinar e a curva de melhora parece ser sustentável. Porém, destacou que a vacina sozinha não impede de pegar a doença, e que outros cuidados seguem sendo necessários para reduzir o número de casos – na Europa, o crescimento do número de infectados não tem sido acompanhado por um aumento proporcional de mortes, esclareceu.

Distribuição desigual de vacinas é absurda

Hallal ainda tratou de outros temas, como a crítica à distribuição desigual das vacinas no mundo. Geraldo perguntou sobre a importância da solidariedade entre os países, pois não vai haver controle da epidemia se todos não tiverem a população vacinada. Para Hallal, “a OMS está deixando acontecer um absurdo”, tanto pelo problema da desigualdade em si e pelo abandono da África quanto pela saúde pública global, já que novas variantes podem surgir e correr o mundo: “A pandemia deve ser enfrentada como um problema global”, ressaltou.

O especialista também defendeu a adoção do passaporte vacinal, caracterizado por ele como outra “falsa polêmica”. Ele lembrou que escolas há muito tempo adotam passaportes vacinais exigindo que seus alunos estejam com vacinas em dia; o mesmo vale para países que exigem a comprovação de vacinas como a da febre amarela. Para Hallal, o passaporte vacinal da Covid-19 deveria ser algo natural, “mas o negacionismo insiste em pautas como essa”.

Antes do encerramento, foram lidas perguntas do público que acompanhava a live pelo canal do Sintajufe/RS no Youtube e pela página do sindicato no Facebook. As questões trataram de temas como as máscaras, a Butanvac e os efeitos pós-covid.

Hallal ainda destacou a importância da CPI da Covid e disse esperar que haja desdobramentos concretos: “Se a PGR, a PF e os políticos brasileiros quiserem botar no forno para sair uma pizza, não é culpa da CPI. Aí a questão é ver quem está comprometido com o futuro do país”, disse, elogiando o relatório final da Comissão.

Assista abaixo a íntegra da live: