SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

DEPOIS DA GRANADA NO BOLSO…

“É o filho pedindo bicicleta…”, diz Bolsonaro a servidores e servidoras que lutam por reposição; o STF dará a mesma resposta?

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Enquanto segue liberando recursos para os bancos, para militares e para o orçamento secreto e dando sinais positivos aos quinquênios endereçados à magistratura, Jair Bolsonaro (PL) voltou, nessa quinta-feira, 23, a utilizar-se de pretextos para tentar justificar a decisão de manter o congelamento salarial de servidores e servidoras. Afirmando que “não adianta botar a faca no meu pescoço”, ele culpou a pandemia, a crise hídrica e a guerra da Ucrânia pela política de reajuste zero que seu governo vem aplicando desde que assumiu, em janeiro de 2019 – quando não havia pandemia, crise hídrica ou guerra. Em declarações em vídeo registradas num canal bolsonarista, comparou as reivindicações dos servidores a “um filho que o pai está desempregado pedindo uma bicicleta no Natal. Não tem. Por mais que ele mereça”.

A analogia de Bolsonaro poderia enganar os mais desatentos, não fosse o fato de que seu ministro da Economia, Paulo Guedes, já chamou seus “filhos” de parasitas e se orgulha de ter “colocado uma granada no bolso” de milhares de servidores públicos.

A apoiadores, em frente ao Palácio do Alvorada, Bolsonaro disse que os problemas na economia são a causa da falta de reposição: “Alguns se revoltaram comigo: ‘Ah, não vai dar reajuste esse ano’. Pô, vê como é que está a economia. Me aponta onde tem dinheiro que eu dou agora o recurso. A solução é fazer greve, estão preparando. Bem, não adianta botar a faca no meu pescoço, não tem”, afirmou. Em seguida, comparou os servidores e servidoras a um filho que pede mais do que o pai pode dar: “É o filho que o pai está desempregado pedindo uma bicicleta no Natal. Não tem. Por mais que ele mereça”, comparou.

Governo vem tentando confundir

A política de reajuste zero, porém, vem sendo aplicada desde o início do atual governo e, nos últimos meses, em meio à campanha salarial unificada do funcionalismo, tanto Bolsonaro quanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, chegaram a sinalizar, via imprensa, a possibilidade de conceder reajuste. O índice aventado, porém, sempre esteve abaixo das necessidades e reivindicações dos servidores e servidoras. Por isso – e por não haver qualquer proposta concreta para a maioria das categorias – as mobilizações seguiram.

Agora, com o governo decidido e afirmando publicamente o “zero”, a luta e a pressão continuam e precisam ser reforçadas. O prazo para a aprovação de um projeto de revisão geral neste ano é 4 de julho, por conta do calendário eleitoral.

E aí ministro Fux? O STF também vai colocar a granada no bolso dos servidores e servidoras novamente?

Ao mesmo tempo, no Judiciário, a Fenajufe, o Sintrajufe/RS e os demais sindicatos que representam os servidores e servidoras buscam junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) a garantia de que a política do zero não será seguida. Já ficou demonstrado, em documento encaminhado à Casa Civil, que há espaço no orçamento do Judiciário para oferecer reposição aos servidores, mas o Supremo, em vez de encaminhar projeto de lei ao Congresso, está condicionando o índice de reposição da categoria à decisão do governo Bolsonaro para todo o funcionalismo. O STF já poderia ter enviado projeto ao Congresso, a exemplo do que fez o Tribunal de Contas da União (TCU), que apresentou à Câmara um projeto para a reposição de 13,5% para os servidores e as servidoras do órgão. Além da pressão sobre o governo federal, servidores e servidoras do Judiciário Federal estão também cobrando ações concretas do STF.

Sintrajufe/RS envia nova caravana a Brasília e prevê mobilizações em julho e agosto

Para seguir a pressão em Brasília juntamente com as demais entidades, o Sintrajufe/RS envia, na próxima semana, mais uma caravana à capital federal. As inscrições podem ser feitas até as 18h desta sexta-feira, 24. Veja AQUI todas as informações.

Além disso, em julho será realizadas atividades diversas (pressão por e-mail, envio de ofícios dos sindicatos pelo Brasil cobrando os ministros do STF) e assembleias para aprovação do “estado de greve” da categoria, com indicação de paralisação em 3 de agosto. Para essa data, está previsto um apagão do Judiciário e do Ministério Público da União, com indicativo de paralisação pela recomposição das perdas, com a cobrança para que STF e PGR enviem ao Congresso o orçamento de 2023 com a previsão da recomposição das perdas salariais, independentemente da concessão ou não de uma reposição emergencial no mês de julho.