SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

ECONOMIA DESTRUÍDA

Diesel e inflação têm novas altas; poder aquisitivo dos brasileiros não para de cair e Bolsonaro fala em apenas 5% de reposição para servidores

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Desde essa terça-feira, 10, o diesel está mais caro em todo o Brasil. Mais uma consequência da política econômica excludente do governo de Jair Bolsonaro (PL), a alta deverá gerar impacto sobre muitos outros produtos, inclusive os alimentos.

Na segunda-feira, a Petrobras anunciou a elevação do preço do diesel para as distribuidoras, com o preço médio do litro passando de R$ 4,51 para R$ 4,91, um aumento de 8,87%. Com o novo reajuste, o diesel já acumula no ano alta de 47% nas refinarias da Petrobras. Em nota, a empresa afirmou que “com esse movimento, a Petrobras segue outros fornecedores de combustíveis no Brasil que já promoveram ajustes nos seus preços de venda acompanhando os preços de mercado”.

Na semana passada, o preço da gasolina subiu pela quarta semana seguida, e voltou a marcar um novo recorde nos postos de combustíveis do país, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) O preço médio do litro da gasolina ficou em R$ 7,295 nesta semana, o que representa uma alta de 0,16% em relação ao levantamento anterior. Trata-se do maior valor nominal pago pelos consumidores desde que a ANP passou a fazer levantamento semanal de preços, em 2004.

Política de preços definida pelo governo prejudica a população

Um dos problemas que tem gerado os constantes aumentos no combustível é a política de preços implementada pela Petrobras desde o governo de Michel Temer (MDB), agora seguida por Bolsonaro. Trata-se Preço de Paridade de Importação (PPI), que vincula o preço às oscilações do mercado internacional. O índice se baseia nos custos de importação, que incluem transporte e taxas portuárias como principais referências para o cálculo dos combustíveis. Por estar vinculado ao sistema internacional, a variação do dólar e do barril de petróleo tem influência direta no cálculo dos combustíveis da Petrobras. Em resumo, o governo “lava as mãos” e deixa brasileiros e brasileiras submetidos aos humores e crises da política e da economia globais. Com o PPI, o gás de cozinha aumentou R$ 45 em três anos; o diesel dobrou de valor em cinco anos.

Inflação segue batendo recordes

Enquanto isso, nesta quarta-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, que ficou em 1,06% em abril, após alta de 1,62% em março. Foi a maior variação para um mês de abril desde 1996 (1,26%). Ou seja, em 26 anos. No ano de 2022, o IPCA acumula alta de 4,29%. A inflação saltou para 12,13% no acumulado em 12 meses, acima dos 11,30% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Trata-se da maior inflação para o período de 1 ano desde outubro de 2003 (13,98%).

Nos últimos 12 meses, o preço da cenoura subiu 178%; o do tomate e o da abobrinha, 103%; o valor do melão nos mercados cresceu 82%; e o do morango, 70%. Os 50 itens avaliados pelo IPCA que mais tiveram aumento nos últimos 12 meses subiram mais de 20%.

No caso dos combustíveis, Bolsonaro tenta “tirar o corpo” e agir como se as decisões da Petrobras não passassem pelo presidente da República. No caso da inflação, também tenta eximir-se de responsabilidade, com a pandemia e a guerra aparecendo como bodes expiatórios. A realidade, porém, é que, entre todas as grandes economias do mundo, apenas Brasil e Turquia têm inflação, juros e desemprego de dois dígitos. Conforme levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating, Argentina e Rússia também estão no topo dos rankings das maiores taxas de inflação e de juros básicos do mundo, mas mantêm um desemprego abaixo de dois dígitos. Já a África do Sul e a Espanha possuem desemprego superior ao do Brasil, mas inflação e juros bem menores. Dessa forma, o Brasil segue com projeções de crescimento bem abaixo da média mundial e dos chamados países emergentes.

Os efeitos concretos na vida dos trabalhadores e das trabalhadoras é evidente. A perda de poder aquisitivo atinge de forma preocupante quem precisa do salário para viver. A renda média vem em queda constante, assim como a precarização dos empregos disponíveis. A renda média dos brasileiros no último trimestre de 2021 foi de R$ 1.378 em regiões metropolitanas. É o menor valor da série histórica do boletim Desigualdade nas Metrópoles, iniciada em 2012.

Campanha salarial reivindica 19,99% de reposição

Na terça-feira,10, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou que o governo deve decidir sobre reposição para os servidores e servidoras até o dia 22 de maio. A “tendência”, conforme o jornal, é de que seja concedido um aumento linear de 5% para todo o funcionalismo. Na semana passada, Bolsonaro falou sobre o percentual, que está muito aquém da reposição emergencial de 19,99% que constam na pauta unificada apresentada ao governo em janeiro.

De modo unificado, as categorias vêm realizando atividades de mobilização, em Brasília e nos estados, muitas vezes integradas às campanhas salariais de servidores e servidoras estaduais e municipais. Nesta quinta-feira, 12, mais um ato será realizado em Brasília, com a participação do Sintrajufe/RS.

No Judiciário Federal, a Fenajufe reuniu-se, no dia 27 de abril, com o diretor-geral do Supremo Tribunal Federal (STF), Edmundo Veras dos Santos Filho. A informação repassada pelo diretor-geral é de que há duas possibilidades para a reposição salarial buscada pela categoria: vinculá-la a um possível reajuste dos servidores do Executivo e/ou enviar um projeto de lei específico do Judiciário para o ano que vem. O Sintrajufe/RS seguirá lutando pelos dois projetos de forma a repor ao máximo possível as perdas acumuladas.

Com informações do portal G1 e do Uol.