SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

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Debate sobre assédio moral e sexual no trabalho, parceria do Sintrajufe/RS e do TRT4, aconteceu na última sexta-feira

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Foi realizada na última sexta-feira, 24, com transmissão online, a palestra “Assédio moral e sexual no trabalho: quando se misturam sentimentos e sofrimento”, fruto de iniciativa do Comitê de Combate ao Assédio Moral do TRT-RS, em parceria com o Sintrajufe/RS e com a Escola Judicial. Os palestrantes foram Álvaro Roberto Crespo Merlo, médico do trabalho, e Virgínia Dapper, sanitarista da Secretaria Estadual da Saúde e integrante da assessoria de saúde do Sintrajufe/RS, com mediação da diretora do Sintrajufe/RS Mara Rejane Weber.

A sanitarista Virgína Dapper aponta que a discussão sobre assédio moral e sexual deve ser uma prioridade quando as instituições e empresas buscam uma orientação mais ética e a melhoria dos ambientes de trabalho. Ela lembrou que, em junho de 2019, a Organização Internacional do Trabalho aprovou a Convenção 190, que recomenda acabar com a violência e o assédio no mundo do trabalho, e que é preciso que as instituições se mobilizem nesse sentido: “Cabe ao empregador impedir a utilização da violência e assédio como forma de gerir e organizar o trabalho, buscando a construção de relações que zelem pela ética, respeito e solidariedade”, aponta.

Virgína salienta que, em geral, formas de gestão rígidas, autoritárias e verticalizadas são férteis para o assédio e a violência nos ambientes de trabalho: “Nós não devemos discutir a questão do assédio moral e sexual apenas em situações individualizadas, mas precisamos discutir as formas de gestão e como elas podem favorecer o assédio institucional e organizacional”, defende. A sanitarista destaca, ainda, que o assédio sexual é ainda mais invisibilizado do que o assédio moral e, infelizmente, “essas práticas encontram suporte no preconceito e na cultura machista, sendo que a maioria das vítimas não denuncia por vergonha e por medo de ser culpabilizada”.

Assédio sexual: vítimas precisam sair do isolamento

Para o médico do trabalho Álvaro Merlo, a atividade foi muito importante e, com ela, o sindicato cumpriu seu papel de manter essas discussões vivas neste momento. Ele focou sua fala no problema do assédio sexual, lembrando que, ao contrário do assédio moral, nesse caso não se trata de instrumento de gestão – como em muitos casos o assédio moral acaba sendo utilizado –, mas de uma violência frito de distúrbios de personalidade, “algo próximo da psicopatia”. Ele destacou que os assediadores exercem não uma sexualidade, mas uma violência.

Conforme Álvaro, o assédio sexual pode ser dar por meio de uma simples insinuação, especialmente quando existe diferença hierárquica envolvida. E o contexto piora se o assediado ou a assediada está em uma situação isolada, onde não existe solidariedade. “As duas formas de assédio, moral e sexual, são muito frágeis se duas ou três pessoas que estão em volta dizem alguma coisa”, explica, ressaltando que não é simples, já que na maior parte das vezes há relações de poder, mas que a resposta rápida é necessária. Segundo o médico, há dois caminhos para enfrentar a situação: o primeiro é registrar o assédio por mensagens, gravações, etc.; o segundo é buscar solidariedade. Os assediados estão, em geral, muito fragilizados, com sentimento de culpa, de forma que precisam de apoio coletivo, que pode ser oferecido por colegas, amigos, e também pelo sindicato: “é fundamental que essas pessoas possam ser amparadas, que possam sair do isolamento, que possam falar”. E completa, alertando: “Às vezes quem olha de fora acha que é banal, comum. Mas é uma violência muito grande”.

Repercussão da transmissão demonstra importância de debater temas

A diretora do Sintrajufe/RS Mara Weber, que mediou o painel, destacou a grande participação de colegas na transmissão online. Para ela, o grande público “é uma demonstração de angústia e de necessidade de falar sobre o assunto”. Mara conta que, durante a transmissão, foram vistas algumas manifestações “bastante angustiadas” e que, após a live, houve pelo menos dois contatos de pessoas buscando orientação e suporte. “A gente está se propondo a fazer esse acolhimento, orientar dentro do que é possível a gente fazer”, comenta a dirigente.

Mara avalia que chama atenção a necessidade de garantir espaços de fala, de escuta e de acolhimento das pessoas: “Há um sofrimento muito grande no trabalho, hoje agravado pelo confinamento. E a gente precisa abrir espaço para essas pessoas, que elas não se sintam sozinhas, que saibam que há outras pessoas que entendem o seu sofrimento e que vão ouvi-las e fazer todo o possível para encontrar uma solução”. E completa: “Sempre existe uma saída, uma solução. É preciso entender que sempre é possível agir e que sempre há saída para o sofrimento que estão passando”.