SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

LUTO

Coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens é vítima de feminicídio em Porto Alegre

A coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Porto Alegre, Débora Moraes, foi vítima de feminicídio, na segunda-feira, 12, na casa onde morava, na Vila dos Herdeiros, zona Leste da capital gaúcha. O assassinato foi cometido pelo marido de Débora, que foi preso em flagrante, segundo informa a 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Porto Alegre. Débora deixa uma filha de 6 anos.

Conforme a delegada Fernanda Campos Hablich, o homem preso em flagrante será indiciado por feminicídio. Ela informa que o inquérito policial foi instaurado e que as investigações estão sendo feitas. O homem “foi preso em flagrante no local do crime, ontem [dia 12]. Após averiguações da Polícia Civil no local, trouxemos o suspeito para a Delegacia da Mulher, averiguamos depoimentos de testemunhas e do local e o autuamos em flagrante”, explica.

Em nota publicada nas redes sociais, o MAB Rio Grande do Sul denunciou o crime, manifestou repúdio ao assassinato da companheira de movimento e prestou solidariedade a seus familiares e amigos. Disse repudiar “todo tipo de violência contra as mulheres que segue sendo naturalizada e apresentando índices assustadores no Brasil”.

Na nota, o MAB destacou a trajetória de Débora, de resistência junto à população de Porto Alegre, “incansável na luta pelos direitos dos atingidos pela barragem da Lomba do Sabão”, sempre à frente do diálogo com os vizinhos e moradores da comunidade. O MAB ressalta que ela foi muito presente na primeira fase de reassentamento dos atingidos e na intermediação com os órgãos públicos responsáveis.

O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim) de Porto Alegre também emitiu nota manifestando “muita tristeza e indignação a notícia do assassinato”. “Débora é mais uma mulher que tem sua vida ceifada brutalmente pelo seu marido. BASTA! Não queremos perder mais nenhuma companheira para esse ódio sem limites.”

O Levante Feminista contra o Feminicídio RS manifestou “profunda indignação” e denunciou o assassinato cometido pelo marido de Débora Moraes. Ao solidarizar-se, disse que estará vigilante “para que a impunidade não marque mais este crime”. Também criticou o abandono das políticas públicas voltadas às mulheres vítimas de violência.

“Exigimos políticas públicas de prevenção e atendimento a todas as mulheres em situação de violência e denunciamos os governos federal, estadual e municipal que viraram as costas para as mulheres, destruíram a rede de atendimento, e, desta forma, permitem que se alimente o ódio promovido pelo governo fascista de Bolsonaro, que deve ser derrotado”, afirma.

Feminicídios em alta no RS

O assassinato de Débora pelo marido soma-se a uma realidade de violências praticadas contra mulheres no Rio Grande do Sul. De acordo com o Observatório Estadual de Segurança Pública, da Secretaria de Segurança Pública (SSP), até agosto 75 mulheres foram vítimas de feminicídios no estado. Esse é o maior número de casos de feminicídio de janeiro a agosto desde que a série passou a ser registrada, em 2012. A Lupa Feminista contra o Feminicídio conta 76 feminicídios desde o início de 2022.

Em entrevista recente ao Brasil de Fato RS, a juíza corregedora da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do RS, Taís Culau de Barrosa, chamou a atenção para o preocupante aumento dos feminicídios. Na sua avaliação, o estado necessita de investimentos nos mais diversos setores envolvidos com a questão.

“Por exemplo, falta de casas de acolhimento que poderiam receber essas mulheres e seus filhos, há falta de policiais nas delegacias especializadas e precisamos aumentar as equipes multidisciplinares envolvidas nos processos. Em algum momento há falhas na inserção da mulher na rede de proteção e sua não inclusão dificulta o combate à violência”, destacou a magistrada.

Fonte: Brasil de Fato