SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

"SETE ANOS SEM REAJUSTE"

Coordenador dos grupos técnicos de transição do novo governo critica falta de reposição salarial dos servidores; recursos já estão previstos para 2023 e luta é para aprovar agora

Durante entrevista coletiva nessa terça-feira, 6, o coordenador dos grupos técnicos de transição do novo governo Lula (PT), Aloizio Mercadante, lamentou a falta de reposição salarial dos servidores e servidoras e criticou a falta de interlocução do governo com as categorias no último período. As declarações foram dadas no mesmo dia em que representantes do funcionalismo, inclusive a Fenajufe, reuniram-se com a equipe de transição para tratar desse e de outros temas.

Mercadante disse que o governo não terá recursos para atender a todas as reivindicações, mas que se buscará “ter prioridades, distribuir melhor os recursos e inovar” e que as reposições das perdas salariais ocorrerão gradativamente. Também explicou que, após a possível aprovação da PEC da Transição, será possível avaliar melhor o que há de recursos disponíveis.

Falando especificamente do Executivo, Mercadante disse que o congelamento salarial dificulta a ida de profissionais qualificados para Brasília: “No caso dos servidores públicos, são sete anos sem reajuste. Não é qualquer coisa. É um custo de vida que vai pesando. Inclusive os cargos de confiança, trazer profissionais qualificados para funções relevantes, está muito difícil morar em Brasília nas condições que o setor público está oferecendo. São sete anos sem reajuste”, apontou.

Tanto para o Executivo quando para os servidores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União (MPU), já há recursos reservados nos respectivos orçamentos dos Poderes para 2023. Neste momento, a luta de servidores e servidoras da categoria é para que os projetos de lei 2441/2022 (Judiciário) e 2442/2022 (MPU) sejam aprovados ainda neste ano, o mesmo vale para a luta conjunta de todos os federais. O Sintrajufe/RS enviou caravana a Brasília nesta semana, com previsão de voltar à capital federal na semana seguinte, para pressionar pela aprovação dos PLs.

Reforma administrativa sem a lógica da PEC 32

Na entrevista coletiva, Mercadante também tratou do tema da reforma administrativa. E deixou claro que a posição do novo governo será de realizar modificações no serviço público, mas sem a lógica da PEC 32/2020 que Bolsonaro tentou aprovar – e não conseguiu: “Lula disse que essa é uma pauta necessária ao país, portanto, está no horizonte de nossas preocupações. O que não significa que é a PEC 32. Temos outra visão do estado, de participação de serviço público e vamos buscar apresentar propostas nessa direção”, explicou.