SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

APPLECORE

Contra a vontade da empresa, trabalhadores da Apple criam seu primeiro sindicato nos Estados Unidos

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No último sábado, 18, foi anunciado o resultado da votação entre trabalhadores e trabalhadoras de uma Loja Apple no estado de Maryland, nos Estados Unidos, sobre a criação de um sindicato no local: apesar das pressões da empresa, a sindicalização foi aprovada, na primeira decisão desse tipo na empresa. A vitória acontece em um contexto de avanço de sindicatos em empresas dos Estados Unidos que resistem à organização dos trabalhadores, como a Amazon.

Um grupo de funcionários chamado AppleCORE (acrônimo em inglês para Coalizão de Funcionários de Varejo da Apple) liderou a campanha pela sindicalização e para exigir representação nas decisões sobre salários, horas de trabalho e medidas de segurança. O resultado de sábado significa que os funcionários desta loja, convocados a votar desde quarta-feira 15, deverão formar um braço do sindicato Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais (IAM, na sigla em inglês). Em sua conta no Twitter, o AppleCORE comemorou: “Conseguimos, Towson! Ganhamos nossa votação sindical, agradecemos a todos que trabalharam tão duro e aos que nos apoiaram! Hoje comemoramos… Amanhã continuamos nos organizando”.

A diretora de distribuição e recursos humanos da Apple, Deirdre O’Brien, esteve presente na loja em maio para falar com os funcionários e tentar convencê-los a votar contra a iniciativa: “É seu direito se filiar a um sindicato, mas também é seu direito não se filiar”, de acordo com um trecho de áudio divulgado pelo site Vice. O’Brien assegurou que a presença de um intermediário complicaria as relações entre a Apple e seus funcionários. “Estou preocupada com o que pode significar outra organização no meio da nossa relação, uma organização que não tem uma compreensão profunda da Apple, ou do nosso negócio”, disse ela à época.

Num esforço de evitar sindicalização, a Apple anunciou um aumento no salário mínimo dos vendedores de suas lojas nos Estados Unidos. O valor de cada hora trabalhada passará a valer, no mínimo US$ 22 (R$ 105,00, em conversão direta) a partir de julho. Alguns críticos, porém, consideram esse aumento modesto, sendo que alguns trabalhadores de outros setores recebem até US$ 17/hora em cidades com um alto custo de vida, como Nova Iorque e São Francisco. No último ano fiscal da Apple, o faturamento da empresa foi de US$ 366 bilhões (R$ 1,6 trilhões em conversão direta).

Primeiro sindicato da Amazon foi criado em abril

No dia 1º de abril deste ano, os trabalhadores e as trabalhadoras de um depósito da Amazon em Nova York aprovaram a criação do primeiro sindicato de funcionários da empresa nos Estados Unidos. Desde a década de 1990, quando foi fundada, a Amazon conseguia impedir todas as tentativas de criação de sindicatos em suas unidades. Durante a campanha em Nova York, a empresa tentou dissuadir a sindicalização por meio de reuniões obrigatórias e com cartazes e outras mensagens nos locais de trabalho. Mesmo assim, apesar das pressões patronais, os trabalhadores do depósito Staten Island JFK8 aprovaram a sindicalização com 2.654 a 2.131 votos, de acordo com uma contagem da agência federal de relações trabalhistas.

Trabalhadores da Amazon protestam em Nova York. Foto.ERIK MCGREGOR

Em junho de 2021, matéria publicada pelo Sintrajufe/RS comparava a situação dos trabalhadores da Amazon nos Estados Unidos com o que ocorreu na fábrica Calçados Zenglei, em Novo Hamburgo: impedida de ir ao banheiro, uma trabalhadora urinou na própria roupa no local de trabalho, desencadeando protestos.

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