SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

ASSÉDIO

Confederação e sindicatos de trabalhadores do ramo financeiro exigem demissão de presidente da Caixa acusado de assédio sexual

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O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Duarte Guimarães, está sendo acusado de assédio sexual por várias funcionárias do banco que trabalham ou trabalharam diretamente com ele. O Ministério Público Federal (MPF) já abriu uma investigação sigilosa para apurar relatos de abordagens inapropriadas do presidente do banco feitos por cinco mulheres.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) já divulgaram declarações exigindo a demissão imediata de Guimarães, mas, até agora, ele segue no cargo, apoiado por Jair Bolsonaro (PL). Conforme o portal G1, Guimarães é um dos nomes mais próximos de Bolsonaro, a quem costuma acompanhar em viagens e em lives na internet. Ele está na presidência da Caixa desde o início do governo.

“O que você faria se o presidente quisesse transar com você?”

De acordo com reportagem publicada pelo site Metrópoles, nessa terça-feira, 28, um grupo de trabalhadoras diretamente ligadas ao gabinete da presidência da Caixa, decidiu, no fim do ano passado, romper o silêncio e fazer a denúncia do assédio a que vinham sendo submetidas ao Ministério Público Federal. Cinco das vítimas falaram à reportagem referida, na condição de anonimato, para se preservarem. A publicação da reportagem rapidamente ganhou repercussão nacional na imprensa e no meio políticos, em especial, no Congresso Nacional, onde vários parlamentares se pronunciaram em plenário, solicitando a demissão do executivo.

Os depoimentos são alarmantes. As cinco vítimas relatam toques em partes íntimas sem consentimento, falas e abordagens inconvenientes e convites incomuns e desrespeitosos, incompatíveis com a relação entre o presidente do maior banco público do país e suas empregadas. Em um dos relatos, uma delas diz que uma pessoa ligada ao presidente do banco perguntou o que fariam “se o presidente” quisesse “transar com você?”. Segundo a denunciante, ele estava na piscina e “parecia um boto se exibindo”. Além disso, funcionárias recebiam chamados para ir no quarto de Guimarães, que costumava dar beliscões nas mulheres, entre outros relatos.

Uma trabalhadora que não quis se identificar com medo de retaliações, afirmou à reportagem da Folha de S Paulo ter sido puxada pelo pescoço e ter ficado em choque após o episódio. Segundo ela, os assédios de Pedro Guimarães aconteciam diante de todos, dentro e fora da instituição. O caso narrado à Folha ainda não chegou às autoridades. “Não falei antes com medo e vergonha, e agora me sinto culpada porque penso que se tivesse falado antes, outras mulheres não teriam passado pelo que passei, nem por situações piores”, afirma. Ela conta que, em uma ocasião, estava a sós com o presidente do banco, quando ele perguntou se ela “estava com ele”. A funcionária entendeu, à época, que a pergunta era em relação ao governo. Ela teria, então, respondido que sim. “Aí quando fui sair, ele me puxou pelo pescoço e disse: ‘Estou com muita vontade de você’. Saí da sala, em choque e chorando”, afirma ela. “Depois, em outro momento, ele já passou a mão pela minha cintura e foi abaixando, mas saí antes que piorasse”, denuncia ela.

Em entrevista à TV Globo, exibida nesta quarta, outra denunciante, que também não quis se identificar, disse que, entre um abraço e outro, Pedro Guimarães tocava em seus seios e em outras partes íntimas.

Bolsonaro sabia das denúncias e preocupou-se com possível vazamento

Jair Bolsonaro e a cúpula da Caixa Econômica Federal sabiam das denúncias de assédio sexual contra o presidente da instituição, Pedro Guimarães, assim como o comando da instituição. Muito antes do site Metrópoles divulgar que cinco bancárias tinham denunciado Guimarães ao Ministério Público Federal (MPF), as denúncias já eram de conhecimento do Palácio do Planalto e da equipe presidencial, diz o jornalista Valdo Cruz, do G1. Bolsonaro chegou a conversar com o presidente da Caixa há cerca de um mês sobre o caso, alertando que se algo fosse comprovado e viesse a público, ele seria demitido, segundo relato de um assessor ao jornalista.

A diretoria executiva da Caixa Econômica Federal também sabia, desde 2019, dos casos de assédio que começaram logo que Pedro Guimarães assumiu a presidência e se aproximou de Bolsonaro. O comando da instituição não só acobertou as denúncias como ofereceu promoções, segundo relato de três ex-integrantes dos conselhos de Administração e Fiscal da instituição ao blog de Ana Flor, do G1. Mulheres vítimas do assédio que aceitavam não levar adiante as denúncias foram transferidas, receberam cargos em outras instituições públicas ou ficavam temporadas no exterior, em cursos, diz a colunista. Segundo ela, um segurança foi demitido depois de flagrar um assédio de Guimarães a uma assessora dentro de um carro na garagem do banco.

Trabalhadoras protestam em Brasília

Na tarde desta quarta-feira, trabalhadoras da Caixa realizam protesto em Brasília, em frente à sede da instituição. A manifestação, organizada pelo sindicato dos trabalhadores, pede a “saída urgente” de Pedro Guimarães do cargo. Os participantes fazem discursos contra o gestor e entregam flores a funcionárias que entrar ou saem do prédio.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: CUT/RS. Com informações do portal G1.