SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

CULTURA PELO DIREITO À CIDADE

Com performance, contação de histórias, vídeos e fotografias, Quilombo do Sopapo realizou mostra final do projeto “Cultura e Economia Solidária – Tecendo Redes pelo Direito à Cidade”

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No último sábado, 11, o Quilombo do Sopapo, parceiro do Sintrajufe/RS, realizou mostra cultural de fechamento do projeto “Cultura e Economia Solidária – Tecendo Redes pelo Direito à Cidade”. O projeto teve quatro oficinas que foram desenvolvidas ao longo do segundo semestre deste ano: fotografia pinhole, teatro de animação, rádio-teatro e áudio visual. O Sintrajufe/RS ficou com um exemplar de livro de duas mostras para a biblioteca do sindicato.

A diretora do Sintrajufe/RS Luciana Krumenauer esteve presente na atividade. “A comunidade do Cristal e arredores conta com um ponto de cultura que, através dessas oficinas, acolhe e desenvolve um olhar diferenciado de ocupação dos espaços e da história que o bairro proporciona. Além disso, é muito emocionante ver, não só a gurizada, mas seus familiares e responsáveis, compartilhando suas vivências e sabendo que ali é um espaço que eles podem ter voz. Não deixo de destacar a emoção que foi poder estar presente na performance das e dos oficineiros do teatro com máscaras e a entrega dos certificados da oficina de fotografia. Destaco ainda que os vídeos realizados pelas e pelos estudantes do nono ano foram muito criativos, bem como o rádio teatro com a pergunta instigante: ‘o que é cultura?’ e as respostas que a comunidade deu”, diz Luciana.

Seminário antecedeu a mostra

Na sexta-feira, 10, antecedendo a mostra, foi realizado um seminário voltado para o Conselho Gestor, para lideranças comunitárias e espaços de atendimento à população da região (Posto de Saúde Divisa e Escola Loureiro da Silva), “Cultura pelo Direito à Cidade – Os impactos da especulação imobiliária e da nova orla do Guaíba na periferia local”. Conforme Leandro Anton, integrante do Quilombo do Sopapo, o seminário tratou de temas como a manutenção, regularização fundiária e reassentamento na região, destacando a importância de tecer redes entre associaçoes de moradores, espaços de atendimento de políticas públicas (escolas, postos de saúde), “que são a rede de proteção de comunidades em sua luta pelo direito à cidade e também em direitos culturais”. Leandro explica que também foi discutido sobre “o que esses temas das oficinas contribuem para o fortalecimento dos vínculos com a luta comunitária, com a trajetória das famílias e com a trajetória de construção do direito à cidade dentro do bairro”.


As oficinas e a mostra cultural

Foram 75 pessoas atendidas nas diferentes oficinas ao longo dos últimos meses. A oficina de fotografia foi teve como educadores e nas monitorias Leandro Anton, Maria Eduarda Silva da Silva e Cristina Rosa, todos integrantes do Coletivo Imagens Faladas, coletivo fotográfico do Ponto de Cultura. Foram realizadas atividades no próprio Quilombo do Sopapo, com meninas moradoras da São Cristiano e do Morro Santana, e também dentro da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul (Fase). A oficina trabalhou os percursos no Bairro Cristal e no Santa Tereza como processos de construção de vínculos de territorialidades, com o objetivo, explica Leandro, de “sensibilizar o olhar para os percursos cotidianos e para suas relações dentro do bairro e com a cidade”.

Na mostra, foram apresentadas fotografias com duas diferentes técnicas, com câmeras de lata e de caizinhas de fósforo. A exposição também foi montada mais cedo, no dia 26 de novembro, na Fase, e será novamente apresentada no dia 15 de novembro na São Cristiano, uma das comunidades que teve participação na oficina.

Já a oficina de teatro de animação gerou uma performance com máscaras. A oficina foi feita no próprio Quilombo dos Sopapos aos sábados, com encontros presenciais e virtuais, sendo voltada prioritariamente para o público LGBTQIA+. Como resultado da oficina, foi desenvolvida uma intervenção chamada “Você se importa”, para falar sobre a luta da diversidade e das identidades de gênero contra a indiferença e a violência. A oficina foi ministrada pelo artista bonequeiro Leandro Alves da Silva.

As outras duas oficinas resultaram em vídeos apresentados no sábado. A oficina de produção audiovisual, ministrada por Cristina Rosa e Julio Rodrigues, da Cristalizar Videoproduções (CVP), coletivo de audiovisual do Quilombo do Sopapo, tratou do problema do racismo, discutindo as relações etno-raciais dentro da escola e com o bairro na escola Loureiro da Silva. Foram produzidos três vídeos que foram apresentados na mostra.

Por fim, a oficina de contação de histórias, também na Loureiro da Silva, trouxe a memória de heroínas negras, do Período Colonail e da República, que são pouco faladas e que têm trajetórias fundamentais na história brasileira. O trabalho, realizado junto ao Ensino de Jovens e Adultos (EJA) da escola, foi realizado pela educadora Beatriz Rodrigues com monitoria de Iam Kim, e gerou textos que se transformaram em músicas que, por sua vez, resultaram em uma peça de rádio-teatro, apresentada nos computadores do telecentro do Quilombo do Sopapo.

O projeto “Cultura e Economia Solidária – Tecendo Redes pelo Direito à Cidade” foi realizado pela Associação Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, parceira do Sintrajufe/RS, com recursos do Pró-cultura RS FAC – Fundo de Apoio à Cultura, do governo do Rio Grande do Sul.