SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

DESTAQUE

Com a pandemia, condições de trabalho de mulheres retrocederam dez anos, diz Cepal/ONU

Ler conteúdo

Um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que as mulheres trabalhadoras sofreram mais as consequências da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) do que os homens. O estudo, apresentado em Santiago, no Chile, dia 10, aponta que as condições de trabalho e os direitos delas sofreram um retrocesso de dez anos desde o início da crise sanitária, em fevereiro do ano passado.

O estudo aponta que muitas foram demitidas, tiveram seus salários reduzidos ou precisaram pedir demissão para cuidar de filhos e filhas – por conta do fechamento de escolas e creches – ou parentes com comorbidades. A informalidade e o trabalho precário são fatores que também prejudicam as mulheres no mercado de trabalho. Isso já aconteciam antes da pandemia, mas agora se aprofundaram.

Já no início da pandemia ficava claro que cairia a oferta de emprego para as elas e os principais fatores para essa queda são o machismo e a misoginia estruturais na sociedade, afirma a secretária das Mulheres Trabalhadora da CUT, Juneia Batista. “É óbvio que as empresas preferem os homens porque sabem que as mulheres ainda terão a responsabilidade de cuidar de outras pessoas, os filhos, a família”, diz a dirigente.

Redução da atividade

O relatório da Cepal aponta uma queda de 52% para 46% na atividade profissional realizada pelas mulheres em toda a América Latina, incluindo o México, desde o início da pandemia. Uma das categorias que se destacam nessa queda foi a das empregadas domésticas.

No Brasil, entidades que defendem os direitos dessas trabalhadoras, antevendo as dificuldades que viriam após o início da pandemia, fizeram campanhas para conscientizar empregadores e empregadoras sobre a urgência em protegê-las. Luiza Batista, presidenta da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), explica que se tratava de um apelo para que os empregadores liberassem as trabalhadoras para que permanecessem em casa, em isolamento, evitando riscos como andar de ônibus lotado, mas continuassem com seus salários. “Não houve adesão”, diz ela, “muito porque patrões também tiveram de reduzir o orçamento por causa da crise. Mas teve também os casos em que os patrões simplesmente não as liberaram”, diz Luiza.

Ainda sobre a categoria, Luiza explica que os impactos econômicos e sociais foram acentuados por conta das relações de trabalho que sofreram modificações. “Todas foram prejudicadas, principalmente as informais, além das diaristas”. Luiza explica que “elas não conseguiram entrar no programa de redução de jornada e salário, previsto na MP 936, justamente porque não tinham carteira assinada. As diárias diminuíram e consequentemente a renda caiu”.

O retrocesso de uma década relatado pela Cepal/ONU, de acordo com Luiza, é consequência dos impactos da pandemia, mas ela afirma que as reformas trabalhista e previdenciária, somadas à crise econômica do país, ajudaram a precarizar ainda mais as relações de trabalho das mulheres e a encolher o mercado de trabalho para elas.

Luiza Batista, da Fenatrad ressalta que muitas trabalhadoras informais não tiveram acesso ao auxílio emergencial de R$ 600 (R$ 1.200 para mães solo) aprovado pelo Congresso Nacional. Isso agravou ainda mais a já fragilizada posição das mulheres.

Proposta da Cepal

A recomendação da Cepal para reverter o quadro é que os governos da América Latina adotem medidas de recuperação econômica que contemplem a questão de gênero para reduzir a desigualdade entre homens e mulheres. Os setores que mais sofrem os impactos – comércio, trabalho doméstico e outros – têm mais mulheres. “Além de redinamizar as economias, eles têm um potente efeito na recuperação do emprego das mulheres”, diz o documento.

“É fundamental avançar em um novo pacto fiscal que promova a igualdade de gênero e que evite o aprofundamento dos níveis de pobreza das mulheres, a sobrecarga de trabalho não remunerado e a redução do financiamento de políticas de igualdade”, diz a secretária executiva da Comissão, Alicia Bárcena.

Além disso, propõe aumentar investimentos em rede de cuidados e políticas públicas para mulheres no que diz respeito à assistência. Ampliar creches, de acordo com a Cepal, é ampliar a participação das mulheres no mercado de trabalho.

É destacado ainda o setor de saúde, em que há maior estabilidade no emprego, mas onde as condições de trabalho pioraram. “Diante da atual crise, as jornadas de trabalho se intensificam, e em alguns casos as pessoas ocupadas neste setor não contam com equipamentos de proteção suficientes, o que aumenta as possibilidades de contágio e também agudiza o estresse do pessoal”, diz o documento da Cepal.

Editado por Sintrajufe/RS; fonte: CUT

FALE CONOSCO

Font Resize
Contraste