SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

BOCA FECHADA

CNJ promove seminário sobre assédio no Judiciário sem participação de representações de servidores e servidoras

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promoveu na manhã desta quarta-feira, 16, um seminário para debater assédio e discriminação no Judiciário. Em que pese a iniciativa importante, chamou a atenção o fato de não haver, em nenhuma das mesas da atividade, qualquer representação dos servidores e servidoras, mesmo sendo estes os maiores interessados e considerando-se a tradição de enfrentamento a esse problema no âmbito das entidades que representam a categoria.

O “Seminário de Combate ao Assédio e à Discriminação no Poder Judiciário” teve sete momentos ao longo de sua programação, com uma mesa de abertura, uma palestra magna, dois painéis, a assinatura de uma carta contra o assédio, a apresentação de dados de uma pesquisa sobre assédio e uma mesa de encerramento. Doze pessoas diferentes estavam escaladas para as atividades. A Fenajufe e a Fenajud não foram convidadas.

É longa a experiência e a trajetória das entidades sindicais nas discussões e ações sobre esse tema. Recentemente, em um caso com grande repercussão, o Sintrajufe/RS travou uma longa batalha para que o TRF4 tomasse atitudes frente a denúncias de assédio no tribunal. Após meses de pressões do sindicato e de organizações feministas e sindicais, o Conselho de Administração do TRF4 decidiu, por unanimidade, suspender por dez dias servidor do tribunal acusado de assediar três servidoras.

Causa estranhamento, assim, a decisão do CNJ de não convidar representações de servidores e servidoras para uma atividade com essa temática. Conforme o diretor do Sintrajufe/RS Zé Oliveira, “é muito importante que o CNJ realize um evento como esse, mas é um absurdo a não participação de entidades que representam os servidores. Não há nenhum servidor entre os painelistas, assim como não há participação das entidades que os representam. Basicamente, há apenas magistrados. Isso demonstra o quanto estamos distantes de realmente enfrentar essa chaga que vivemos nos setores de trabalho do Judiciário”.