SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

CAPITÓLIO DO CERRADO

Bolsonaro exige “contagem de votos”; ação do Sintrajufe/RS contra falas antidemocráticas aguarda decisão no TRF4

Ler conteúdo

Nos últimos dois dias de março, Jair Bolsonaro (PL) subiu mais uma vez o tom e voltou a ameaçar não aceitar o resultado das eleições marcadas para outubro. Em declarações nessa quarta-feira, Bolsonaro falou no que chamou de “povo armado” como instrumento para garantir a “contagem de votos”. Na quinta, mandou que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) calem a boca e não “encham o saco”.

Em discurso no Rio Grande do Norte, quarta-feira, referiu-se a ministros do Tribunal Superior Eleitoral dizendo que os votos das eleições serão contados e “não serão dois ou três que decidirão como esses votos serão contados”. E ameaçou: “o povo armado jamais será escravizado”. Disse ainda que “tudo faremos até com sacrifício da nossa vida para que esses direitos [o que Bolsonaro chama de democracia e liberdade] sejam relevantes e cumpridos pelo nosso país. A visita ao estado teve comício, motociata e cavalgada. No mesmo dia, Bolsonaro disse que as eleições de outubro serão do “bem contra o mal”.


Já nesta quinta, na cerimônia que marcou a troca de ministros de seu governo, Bolsonaro atacou os ministros do STF: “Para sermos uma grande nação, falta que alguns poucos não nos atrapalhem. Se não tem ideia, cala a boca. Bota a tua toga e fica aí sem encher o saco dos outros. Como atrapalham o Brasil”, disse. No mesmo contexto, criticando membros do Judiciário, foi taxativo ao utilizar o discurso do “inimigo interno”: “Temos inimigos, sim. São poucos inimigos de todos nós aqui no Brasil – poucos – e habitam essa região dos 3 Poderes. Esses poucos podem muito, mas não podem tudo”.

Os ataques de Bolsonaro suas tentativas de gerar desconfiança sobre as eleições, apontando até mesmo para o não reconhecimento dos resultados e para soluções de força, não começaram agora. Pelo contrário, se repetem pelo menos desde o início do ano passado. Desde lá, alternam-se períodos de aparente calmaria com declarações explosivas que buscam tumultuar o cenário político e o pleito marcado para outubro. Bolsonaro nutre, na véspera do aniversário do golpe militar de 1964 no Brasil, algo parecido com a tentativa de invasão do Capitólio em janeiro de 2021, em Washington /EUA.

Ação do Sintrajufe/RS aguarda decisão do TRF4, judiciário está com a palavra

Contra essas declarações, o Sintraufe/RS ingressou, em julho de 2021, com ação judicial pedindo que a Justiça determine que Bolsonaro se abstenha de divulgar ou fomentar conteúdos que sugiram fraudes nas eleições organizadas pela Justiça Eleitoral. Em setembro do mesmo ano, o desembargador Victor Laus, do TRF4, indeferiu o agravo de instrumento com pedido de efeito suspensivo. A ação também foi derrotada em primeira instância, mas o Sintrajufe/RS recorreu e, em 20 de março deste ano, o recurso foi distribuído ao TRF4 para tramitação em segunda instância, sendo o desembargador Victor Laus designado como relator.