SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

PRESIDENTE REJEITADO

Bolsonaro atinge 64% de desaprovação, enquanto índices econômicos pioram para trabalhadores do país; servidores dão início à luta por reajuste salarial

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Pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 27, mostra que Jair Bolsonaro (PL) segue batendo recordes de desaprovação. Seu índice de rejeição chegou agora a 64%. Apenas 29% aprovam o presidente. Para o governo, os resultados não são muito diferentes: a pesquisa mostra que 55% dos entrevistados consideram o governo ruim ou péssimo; 23% o avaliam como ótimo ou bom e 21%, como regular.

Os números são semelhantes ao de outras pesquisas recentes, realizadas por diferentes institutos de pesquisa, que demonstram o derretimento da popularidade de Bolsonaro e da aprovação das ações de seu governo. No início de janeiro, por exemplo, pesquisa PoderData mostrou que 24% do eleitorado brasileiro acha o trabalho de Bolsonaro “bom” ou “ótimo” e 57% o considera “ruim” ou “péssimo”. O governo como um todo foi, naquela pesquisa, reprovado por 61% e aprovado por apenas 31%.

A grande desaprovação é resultado, entre outros fatores, do agravamento da crise econômica no país, gerado pelas decisões que Bolsonaro e Paulo Guedes vêm tomando. Conforme a mesma pesquisa, 65% dos entrevistados consideram que a economia brasileira está no caminho errado, enquanto 26% acreditam que a economia do país está no caminho certo.

Em novembro, estudo do IBGE apontou que a renda média dos brasileiros com alguma ocupação chegou ao menor patamar desde 2012. O movimento de retrações começou no quarto trimestre de 2020, com perda de 4%, seguido por recuos de 0,8% no primeiro trimestre e de 2,8% no segundo trimestre. Na comparação com o terceiro trimestre de 2020, a queda do rendimento do trabalhador encolheu 11,10%. Embora o desemprego tenha registrado uma leve queda, ele segue alto, atingindo 13,5 milhões de pessoas (12,6%). A queda, porém, reflete ao mesmo tempo justamente a causa da redução da renda média: a acelerada precarização do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, milhões de pessoas ficaram sem qualquer auxílio governamental após a criação do Auxílio Brasil, que encerrou o pagamento do auxílio emergencial. Relatório apresentado em agosto de 2021 denunciava que mais de 125 milhões de brasileiros e brasileiras sofreram com insegurança alimentar durante a pandemia, número que equivale a quase 60% da população.

Desmonte, desinvestimento e desconfiança

Nesse cenário, o governo não apresenta políticas de geração de emprego, de auxílio às famílias em situação de vulnerabilidade ou de incentivo ao crescimento econômico. Não por acaso, os índices econômicas também registram perdas mês a mês, afetando inclusive a confiança que poderia gerar investimentos privados: estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 1,7 ponto em janeiro, a sexta queda consecutiva do indicador.

O setor público também não investe, já que a emenda constitucional 95/2016 limita os gastos e o próprio governo Bolsonaro opta por desmontar a estrutura do Estado e seu papel como estimulador da economia. Um novo corte nos investimentos públicos foi informado por meio do Orçamento apresentado pelo governo para 2022 – e aprovado pelo Congresso: R$ 3,18 bilhões de cortes, afetando de forma grave áreas como saúde, geração de empregos, obras públicas e assistência social. O Ministério do Trabalho e Previdência foi o mais afetado, com corte de R$ 1 bilhão, seguido pelo Ministério da Educação, que teve cortados R$ 740 milhões. O Ministério do Desenvolvimento Regional sofreu um corte de R$ 459 milhões.

Servidores na luta

Em meio à crise econômica e ao derretimento da popularidade do governo, servidores e servidoras constróem a luta pela reposição das perdas salariais que têm acumulado no último período. A Fenajufe vem se articulando com outras federações nesse sentido, e o Sintrajufe/RS participa das movimentações das últimas semanas. No dia 20 de janeiro, o sindicato realizou assembleia geral da categoria tendo como pauta principal a mobilização por reposição salarial. A assembleia aprovou a participação da entidade e da categoria na campanha salarial unificada que está sendo construída nacionalmente. Veja abaixo o calendário previsto:


Calendário de mobilização

24 a 28 de janeiro – assembleias e/ou mobilizações para que os sindicatos apresentem o material de exposição às categorias sobre a possibilidade de reajuste

27 de janeiro – Plenária Nacional das Servidoras e dos Servidores Públicos Federais

2 de fevereiro – Ato em Brasília (essa data marca o retorno do recesso do Judiciário e do Legislativo)

7 a 11 de fevereiro – Semana nacional de mobilização (virtual)

14 a 25 de fevereiro – Entrada em estado de greve, participação da jornada de mobilização/paralisações em prol da isonomia/recomposição salarial

9 de março – Indicativo de greve geral do funcionalismo federal