SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

PELA VIDA DAS MULHERES

Ato em Porto Alegre denuncia o aumento da violência contra a mulher no RS

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Nessa quinta-feira, 25, movimentos feministas realizaram ato público para denunciar o aumento da violência contra a mulher no Rio Grande do Sul e cobrar ações de combate do poder público. A data marcou o Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher. O Sintrajufe/RS participou da manifestação, que ocorreu em frente ao Palácio Piratini, sede do governo estadual, e depois seguiu em caminhada até a Prefeitura de Porto Alegre.

A última atualização dos dados do Observatório da Violência contra a Mulher da Secretaria de Segurança Pública do RS, que ocorreu em 5 de novembro, mostra que desde o início do ano até o mês de outubro o estado registrou 26.309 ameaças, 14.350 casos de lesão corporal, 1.676 casos de estupro (incluindo de vulnerável), 83 feminicídios e 210 tentativas. Segundo diagnóstico da Polícia Civil do RS, dos feminicídios ocorridos até setembro de 2021, 80,2% foram cometidos por companheiro ou ex-companheiro da vítima.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a jornalista Télia Negrão, do Levante Feminista Contra o Feminicídio, afirmou que “já ultrapassamos o número de mulheres vítimas de feminicídio em 2020, que foram 79” no Rio Grande do Sul. Télia denunciou que as redes de acolhimento estão desmontadas no estado: “Não existe orçamento de combate à violência, as mulheres estão abandonadas, elas morrem antes de chegar à primeira delegacia”.

Ariane Leitão, da Força-Tarefa contra o Feminicídio, afirmou, em entrevista à TVT, que o governo de Eduardo Leite (PSDB) “é o pior governo dos últimos tempos em relação às políticas para as mulheres” no Rio Grande do Sul, “ignora nossa presença no orçamento” e “destruiu o pouco de sobrou do Departamento de Mulheres junto à Secretaria de Direitos Humanos”.

Durante a manifestação, artistas realizaram uma intervenção para lembrar as vítimas de feminicídio, desenhando seus corpos e nomes no chão. Com cartazes, revezaram o microfone lembrando das vítimas e das invisibilizadas, como mulheres negras, deficientes físicas e lésbicas. E cobraram assistência por parte do governo de Eduardo Leite (PSDB).

Diretoras do Sintrajufe/RS avaliam a atividade

O Sintrajufe/RS participou da atividade, representado pelas diretoras Alessandra Andrade, Arlene Barcellos e Naiara Malavolta.

Alessandra destacou que a violência contra a mulher começa na infância, sendo que o estupro e a violência contra meninas aumentou em um terço nos quatro últimos anos, segundo dados levantados nos 18 estados que disponibilizaram essas informações. “O fim da violência passa pela educação, pelo fim da cultura do estupro e da estrutura patriarcal que torna os corpos das mulheres usáveis desde o nascimento”, afirmou a dirigente.

“Nesse dia 25 denunciamos as mais diversas violências que sofremos pela nossa condição de sermos mulher”, afirmou Arlene. Ela ressaltou que “a destruição das políticas públicas é uma forma como essa violência se expressa, porque retira das mulheres o direito, no momento de tanta dor e fragilidade, de buscar acolhimento e justiça”.

21 Dias de Ativismo

O Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher é celebrado anualmente para denunciar a violência contra as mulheres no mundo e exigir políticas em todos os países para sua erradicação. A convocação foi iniciada pelo movimento feminista latino-americano em 1981 para marcar a data em que foram assassinadas as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, opositoras da ditadura de Rafael Trujillo na República Dominicana, em 1960.

A data deu origem, aos 16 Dias de Ativismo (de 25 de novembro a 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos), campanha iniciada em 1991 por mulheres de diferentes países reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres, com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo.

A campanha incorpora questões específicas de cada país. No Brasil, por exemplo, o calendário foi ampliado, a partir de reivindicação da Marcha das Mulheres Negras a Brasília, que ocorreu em 2015. Desde então, seu início se dá em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, passando pelo Dia Nacional dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres (6 de dezembro). Dessa forma, no país, são 21 Dias de Ativismo pelo fim da violência contra as mulheres.

Sintrajufe/RS, com informações de Brasil de Fato, Seu Jornal (TVT), ONU Mulheres e Geledés