SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

DESCASO COM PATRIMÔNIO CULTURAL

Após alerta de funcionários e pouco caso de secretário de Cultura, Cinemateca repete incêndio do Museu Nacional e patrimônio com acervo histórico é perdido

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Nessa quinta-feira, 29, um incêndio atingiu um importante patrimônio cultural do povo brasileiro. As chamas, das quais ainda não se sabe a causa, destruiram ao menos três salas da Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Duas dessas salas guardavam filmes históricos do acervo audiovisual brasileiro; a outra, material impresso e documentos. Tudo foi consumido pelo fogo. O incêndio acontece após avisos de servidores sobre esse risco e declaração recente do secretário de Cultura, do governo federal, de que a Cinemateca estava “segura”.

Em abril deste ano ex-funcionários da Cinemateca publicaram um manifesto alertando para os riscos que o acervo corria: “O risco de um novo incêndio é real. O acompanhamento técnico e as demais ações de prevenção, inclusive processamento em laboratório, são vitais”, dizia o texto, que falava em “novo incêndio” por conta de uma situação de mesmo tipo ocorrida em 2016, que destruiu mil rolos de filmes. No ano passado, o diretor do Festival de Cannes, Thierry Frémaux, também afirmou que a Cinemateca estava “ameaçada pelo governo federal”. Mesmo com os alertas e críticas, o governo nada fez: em agosto de 2020, o secretário de Cultura, Mário Frias, chegou a declarar, em visita ao local, que a Cinemateca estava “protegida”.

Em entrevistas ao jornal O Estado de S. Paulo, especialistas lamentaram o ocorrido e denunciaram as razões originais do incêndio: a falta de investimento e o desleixo do governo federal. O diretor geral do Instituto Sprinkler Brasil, Marcelo Lima, disse que esse e outros incêndios colocam em risco patrimônios culturais brasileiros e poderiam ser evitados com investimento: “Não tem a vontade política e a vontade de gastar dinheiro com isso”, afirmou. Presidente da Associação de Amigos da Cinemateca, o cineasta Carlos Augusto Calil deu declarações em sentido semelhante. Para ele, o incêndio “não foi uma fatalidade”, e sim resultado do abandono: “Perdemos 60 anos de história, toda a memória da política pública de apoio ao cinema”, lamentou.

A situação remonta ao caso do Museu Nacional, que foi destruído por um incêndio em 2018, também após reiterados avisos sobre os riscos. E ocorre uma semana depois de um apagão nos sistemas do CNPq também levantar uma vez mais o alerta sobre o abandono do setor. Em 2021, o CNPq, principal ferramenta de incentivo à pesquisa, ciência e tecnologia no país, teve seu menor orçamento no século XXI, prejudicando tanto o fomento à pesquisa quanto a manutenção das estruturas do órgão.

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