SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS

Agronegócio, empresários, políticos e policiais estão por trás dos protestos golpistas, diz relatório de investigações; conheça alguns nomes

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu, nos últimos dias, relatórios formulados pelas Polícias Militar, Civil e Federal e pelo Ministério Público nos estados a respeito dos financiadores dos protestos golpistas que vêm ocorrendo desde a vitória de Lula (PT) no segundo turno das eleições. Entre os envolvidos estão políticos, policiais, ex-policiais, servidores públicos, sindicalistas, fazendeiros, empresários do agronegócio e donos de estandes de tiro.

As investigações, que ainda estão em curso, tratam dos organizadores de bloqueios em rodoviais e de manifestações em frente a quartéis, que ainda estão acontecendo em alguns pontos. Esses protestos pedem o que chamam de “intervenção federal”, na prática um golpe militar, não aceitando o resultado das urnas e a vontade do povo brasileiro, que elegeu Lula em detrimento de seu adversário, o candidato derrotado à reeleição Jair Bolsonaro (PL). Os manifestantes pedem ainda o fechamento do STF e do Congresso Nacional, além de outras pautas antidemocráticas.

No Rio Grande do Sul, a investigação da Polícia Civil identificou, como organizadores e financiadores dos atos golpistas, o policial militar aposentado Vilmar Luis Vicinieski, o coordenador do movimento Direita RS Ezequiel Vargas, o deputado federal eleito Tenente Coronel Zucco (Republicanos) e a agente penitenciária Mariana Lescano. Também foram citados o policial civil e vereador na cidade de Dom Pedrito, Patrício Jardim Antunes (PP), conhecido como Inspetor Patrício, o comissário de Polícia Thiago Teixeira Raldi e o delegado Heliomar Athaydes Franco.

Na última semana, em reunião com o TSE, procuradores de Justiça dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo já haviam afirmado que empresários ligados a Bolsonaro estavam por trás do financiamento das manifestações golpistas que têm ocorrido desde o segundo turno das eleições. Os chefes dos Ministérios Públicos estaduais se reuniram com Moraes na sede do TSE e afirmaram que os protestos são financiados por uma “grande organização criminosa” formada por empresários.

Objetivo dos atos golpistas é dar continuidade às políticas de desmonte de direitos

Os protestos golpistas vocalizam o não reconhecimento do resultado eleitoral, mas têm, no fundo, também pautas econômicas. Os empresários que financiam essas manifestações ilegais não querem o aumento do salário mínimo, a atualização da tabela do imposto de renda, a revogação das reformas trabalhista e previdenciária, não querem que o governo priorize o combate à fome nem a garantia de direitos para os trabalhadores e as trabalhadoras – pautas que levaram Lula à vitória.

O objetivo dos empresários golpistas é a manutenção da agenda bolsonarista de desmonte de direitos que tem gerado uma verdadeira tragédia social no país. Com Bolsonaro, a fome atinge 33 milhões de brasileiros e brasileiras, a renda média cai, aumenta a precarização do trabalho e a destruição dos serviços públicos e de programas sociais fundamentais é a regra. É a favor desse caminho, trágico para a maioria da população, que esses empresários atuam.

Com recursos públicos, bloqueios no dia da votação e assédio eleitoral, quem tentou manipular as eleições foi o bolsonarismo

Por outro lado, é verdade que houve tentativas de macular o processo eleitoral. Mas essas tentativas ocorreram por parte do campo político que está em torno de Jair Bolsonaro. Desde o despejo de recursos públicos às vésperas das eleições até os bloqueios de rodovias pela própria Polícia Rodoviária Federal (PRF) no dia do segundo turno, passando pelos milhares de casos de assédio eleitoral de empresários bolsonaristas contra trabalhadores, as tentativas de interferir de forma ilegal e/ou imoral no processo eleitoral foram constantes.

As investigações sobre esses crimes deverão prosseguir e chegar à identificação e punição dos golpistas.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e da Carta Capital.