SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE

AGRICULTURA FAMILIAR EM ALERTA

Agricultores familiares protestam por medidas dos governos frente à estiagem; ministra da Agricultura manda rezar para São Pedro

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Cerca de 1.300 trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar realizaram protesto no início da manhã desta quarta-feira, 16, na Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, em Porto Alegre. O protesto cobrou ações urgentes e eficazes dos governos estadual e federal na busca de medidas para minimizar os efeitos da estiagem no Rio Grande do Sul.

A atividade foi organizada por entidades como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf/RS), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), a União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Rio Grande do Sul (Consea/RS), com apoio da CUT/RS. Além dos trabalhadores da agricultura familiar, oriundos de diversas regiões do estado, participaram da ação movimentos urbanos, comunitários e sindicatos.


Dentre as pautas, os agricultores solicitam a liberação de crédito e auxílio emergencial, junto com a liberação de R$ 23 milhões dos recursos do BNDES que estão na conta do governo do estado. Também buscam a criação de um Comitê Estadual de Combate à Estiagem, com participação de secretarias e órgãos do governo, entre outras. Em relação ao governo federal, os agricultores pedem a liberação de crédito e auxílio emergencial, anistia das dívidas e a liberação de milho com valor subsidiado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Leia AQUI entrevista do Sintrajufe/RS com a agricultora familiar Cleonice Back, coordenadora da Fetraf/RS, e os detalhes da pauta de reivindicaçoes.

O RS é o estado mais atingido pela seca, considerada a pior estiagem dos últimos 30 anos. Dos 497 municípios, 409 já decretaram situação de emergência por conta da estiagem que assola as lavouras e esvazia reservatórios no estado. Segundo dados da Emater/Ascar-RS, mais de 257 mil propriedades de 9.600 localidades sofrem os efeitos da estiagem, situação essa que deixa 17,3 mil famílias com dificuldades de acesso à água. Em todo o Estado, produtores de milho, soja e leite registram perdas. Mais de 54,7% da produção de milho foi perdida, a quebra na safra de soja alcança os 43,8% e os prejuízos previstos já ultrapassaram os R$ 27,8 bilhões. A situação também prejudica os consumidores urbanos com o aumento significativo dos preços de alimentos.

Esse cenário tem sido denunciado pelos agricultores familiares desde o final do ano passado, quando buscaram alternativas de diálogo junto aos governos estadual e federal, sem um retorno efetivo. Os órgãos públicos têm se demonstrado desinteressados com a situação, deixando como saída para os agricultores a mobilização para cobrar ações efetivas.

“Rezem para São Pedro”, diz ministra

Enquanto os agricultores sofrem e a população vê os preços dos alimentos aumentarem, os governos lavam as mãos. No início do mês, em visita ao extremo-oeste de Santa Catarina, onde também há forte seca, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, deixou clara a política do governo Jair Bolsonaro (PL), que também vem seguida por Eduardo Leite (PSDB), para a agricultores familiares: “Rezem para São Pedro para ele fazer chover novamente. Temos que dar um puxão de orelhas nele”, disse ela aos trabalhadores e trabalhadoras que sofrem com a estiagem e com a falta de apoio governamental.

Com informações da CUT/RS.