SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

QUINTOS E VPNI

Sintrajufe/RS requer aos tribunais que recomposição salarial seja aplicada a toda a categoria, sem absorção de quintos e VPNI

Na quarta-feira, 18, o Sintrajufe/RS encaminhou ofício ao TRT4. ao TRF4, ao TRE-RS e ao STM, requerendo que o percentual previsto da lei 14.523/2023, de recomposição salarial, seja aplicado a todos os servidores e servidoras. Com isso, o sindicato busca que não haja absorção do reajuste para compensação de valores referentes a quintos/décimos, o que resultaria em redução do valor a receber pelos e pelas colegas.

O Sintrajufe/RS requer ainda que os tribunais encaminhem ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) “questionamento sobre a aplicabilidade da absorção referida na decisão que modulou os efeitos do Recurso Extraordinário (RE) 638115, em face ao pactuado na justificativa da Lei 14.523/2023”. Por fim, o sindicato solicita que os tribunais se posicionem, favoravelmente, aos servidores e às servidoras, “não aplicando qualquer medida antes que seja definida a questão, ou ainda, apresentado Projeto de Lei que possa de forma definitiva dirimir a insegurança jurídica, que ora paira sobre o tema”.

No dia 10, entrou em vigor a lei 14.523/2023, depois de uma campanha salarial que mobilizou a categoria durante todo o ano de 2022. Fica estabelecido recomposição de 19,25% aos servidores e às servidoras do Judiciário Federal, em três parcelas: a primeira em 1º de fevereiro de 2023 (6%); o restante será pago em 1º de fevereiro de 2024 (6%) e em 1º de fevereiro de 2025 (6,13%), totalizando 24 meses. Contudo, como explica o Sintrajufe/RS nos ofícios, o último reajuste é de lei de 2016, tendo a última parcela integralizada em janeiro de 2019. Desde então, não houve qualquer reposição, o que resulta em perdas salariais de cerca de 30%.

O Sintrajufe/RS explica que existe, ainda, “uma insegurança jurídica pairando sobre os servidores e servidoras” que não estavam arrolados na ação judicial do sindicato que teve como resultado o reconhecimento do direito à incorporação de quintos/décimos até setembro de 2001, bem como dos oficiais de justiça que acumulam esses ganhos com a GAE.

Decisão do STF

Em acórdão de maio de 2020, o STF deu parcial provimento aos embargos de declaração e modulou os efeitos da decisão do RE 638115, mantendo os quintos incorporados pelos servidores e pelas servidoras federais em decorrência de exercício de função comissionada ou cargo em comissão entre abril de 1998 e setembro de 2001. Nos casos das parcelas concedidas por decisões administrativas ou judiciais não transitadas em julgado, a determinação é que essas sejam absorvidas por reajustes futuros.

Na ação ordinária dos quintos, que tramitou sob o nº 2003.71.00.057296-7, o sindicato obteve o reconhecimento do direito de incorporação da parcela da remuneração pelos servidores e pelas servidoras por ele representados, com lista de substituídos, que exerceram essas funções ou cargos até 2001. Como a jurisprudência do STF e do Superior Tribunal de Justiça “reconhecem em amplitude máxima a abrangência e efeitos da coisa julgada em títulos judiciais obtidos por entidades sindicais”, argumenta o Sintrajufe/RS nos ofícios, é necessário que a recomposição previsto na lei n. 14.522/2023 “seja aplicado a todos os membros da categoria representada […] não sendo imposta qualquer compensação com parcela hoje recebida a título de quintos/décimos, não se aplicando a disposição compensatória ditada pelo Supremo Tribunal Federal, na modulação dos efeitos da decisão adotada no Recurso Extraordinário (RE) 638115”.

Além disso, o Sintrajufe/RS entende que a lei 14.523/2023 é uma recomposição parcial de perdas inflacionárias, e não um reajuste; portanto, a lei “não propõe nenhuma regulamentação quanto à questão da modulação do STF na questão dos quintos”.