SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

SAÚDE

Sintrajufe/RS participa do 4º Seminário de Agroecologia em Nova Santa Rita

O Sintrajufe/RS, representado pela diretora Cristina Viana, participou, nessa quarta-feira, 6, do 4º Seminário da Agroecologia, que teve como tema Agroecologia produzindo alimentos saudáveis . O evento foi produzido pela prefeitura de Nova Santa Rita. Também estavam presentes as assessoras Fabrine Paolin e Fernanda Pontes e Virgí­nia Dapper, médica do trabalho e toxicologista, integrante da assessoria de saúde do sindicato.

Virgí­nia falou sobre o impacto dos agrotóxicos sobre a saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais e também sobre como a contaminação dos alimentos e da água afetam a saúde de toda a população. Foram mostradas pesquisas e evidências cientí­ficas que associam diversas patologias, como câncer, depressão, suicí­dio, malformações, alterações hormonais e imunológicas, com a exposição crônica aos agrotóxicos.

Especificamente em Nova Santa Rita, informou a médica, foram detectados 13 tipos diferentes de agrotóxicos (entre 2014 e 2017) em amostras de água; quatro deles estão associados a doenças crônicas. Virgí­nia também apresentou uma pesquisa realizada pelo Paraná, em 2012, que demonstra que cada 1 dólar gasto no campo dos agrotóxicos pode custar aos cofres públicos 1,28 dólar em futuros gastos com saúde de trabalhadoras e trabalhadores rurais intoxicados.


Projeto de Agroecologia do Sintrajufe/RS

Em setembro de 2021, o Sintrajufe/RS lançou o Projeto de Agroecologia, que tem, entre seus objetivos, possibilitar que o conjunto da categoria tenha acesso a informações, debates e espaços que contribuam para fortalecer uma visão crí­tica que se preocupe com questões relacionadas a alimentos e a modelos de produção e de sociedade. O sindicato firmou convênios com cooperativas para oferecer descontos aos sindicalizados e às sindicalizadas nas compras de alimentos orgânicos e de produtores e produtoras vinculados à agroecologia.

As polí­ticas públicas de fomento à agroecologia foram enfraquecidas no governo Bolsonaro, em relação direta com o desmonte da legislação ambiental e a escassez de recursos públicos para a saúde, educação, ciência e tecnologia, culminado com o retorno ao mapa da fome e a aprovação do Pacote do Veneno na Câmara dos Deputados.

A diretora Cristina Viana destaca que, é necessário que os colegas estejam atentos ao tema, visto que a saúde de todos e todas está sendo afetada pelo uso de agrotóxicos indiscriminadamente . Ela entende que o enfrentamento à flexibilização desse uso aumentou durante o governo passado e que essa deverá ser uma luta constante, visto que várias iniciativas pró-agrotóxicos ainda estão em tramitação no Congresso Nacional.

Nessa perspectiva, analisa a diretora, a agroecologia vem com o diferencial de considerar não somente as práticas agrí­colas, mas a necessidade de promoção da saúde, da soberania e segurança alimentar, no desenvolvimento socioeconômico sustentável e na construção de territórios saudáveis. Ela defende que os processos de produção dos alimentos precisam ser humanizados e com foco na alimentação, diferente da forma que é utilizada atualmente que resulta na fome da maioria da população e na marca de que 59,4 % da população brasileira sofre de alguma deficiência nutricional .