SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

NA PRÓXIMA QUINTA, 24

Movimentos negros convocam ato nacional em meio a aumento de chacinas policiais e após execução de líder quilombola

Em meio a uma série de casos de violência policial e chacinas em diversos estados, organizações do movimento negro estão convocando atos públicos em todo o país para esta quinta-feira, 24. Em Porto Alegre, a manifestação acontece a partir das 17h30min, na Esquina Democrática.

Entre fim de julho e início de agosto, chacinas policiais mataram ao menos 32 pessoas na Bahia, 18 em São Paulo e 10 no Rio de Janeiro. Na noite da última quinta, a liderança do Quilombo Pitanga dos Palmares, Maria Bernadete Pacífico, foi executada a tiros dentro do terreiro Ilê Axé Kalé Bokum, onde era ebomi, na região metropolitana de Salvador.


Definidas em uma plenária online com cerca de 250 organizações, as manifestações de rua serão em 24 de agosto por ser esse o dia de morte do ativista abolicionista e advogado Luiz Gama. Os atos inauguram uma jornada de lutas que deve ter atividades mensais até 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. A articulação inclui o Movimento Negro Unificado (MNU), Agentes de Pastoral Negros do Brasil, Associação de Mães e Familiares de Presxs (Amparar), Frente Nacional de Mulheres do Funk, Geledés – Instituto da Mulher Negra, Unegro, Conen, Uneafro Brasil, entre outras entidades. Muitas delas fazem parte de frentes mais amplas, como a Convergência Negra e a Coalizão Negra por Direitos.

Reivindicações

A jornada reivindica que o Supremo Tribunal Federal (STF), com base no precedente da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como ADPF das Favelas, que foi instituída no auge da pandemia de covid-19, proíba “operações policiais com caráter reativo” e “grandes operações invasivas em comunidades sob pretexto do combate ao tráfico”.

As organizações do movimento negro demandam, ainda, uma lei federal que exija câmeras em uniformes de agentes armados (estatais e privados); um plano nacional de indenização e apoio à familiares de vítimas do Estado, a federalização da investigação de chacinas policiais; a desmilitarização das polícias, entre outras reivindicações.

Ser negro é motivo para ser suspeito?

No Rio Grande do Sul, pesquisa recente realizada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) apontou que ser negro como a principal característica que leva uma pessoa a ser considerada suspeita pela polícia. A pesquisa consistiu em um questionário com 30 perguntas enviado para os 400 policiais que atuam nesses territórios, sendo 320 militares e 80 civis. Respondendo de forma anônima, 113 policiais preencheram o questionário.

Pouco mais de três anos atrás, no Dia da Consciência Negra em 2020, o Rio Grande do Sul também viveu o assassinato por espancamento e asfixia do homem negro João Alberto Freitas, o Beto, no estacionamento de uma loja do Carrefour, na zona norte de Porto Alegre.

Veja abaixo alguns dos atos já confirmados para a próxima quinta-feira
Porto Alegre (RS): 17h30min, Esquina Democrática
São Paulo (SP): 18h, MASP, av. Paulista
Limeira (SP): 18h, Praça Toledo de Barros, Centro
Belo Horizonte (MG): 17h30, Praça 7
Recife (PE): 16h30, Praça UR11, Ibura
Curitiba (PR): 18h, Praça Santos Andrada
Rio de Janeiro (RJ): 16h, Candelária
Aracaju (SE): 15h, Praça Camerino
Vitória (ES): 17h, Praça do Itararé
Brasília (DF): 15h, Museu nacional, caminhada até o Ministério da Justiça

Com informações da CUT e do Sul 21