SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

CHEGA DE VIOLÊNCIA

Brasil teve aumento em todos os tipos de violência contra mulheres em 2022

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nessa quinta-feira, 20, mostrou piora em todos os indicadores de violência contra a mulher em 2022. Os registros de feminicí­dios aumentaram 6,1% e foram contabilizados 1.437 registros policiais de homicí­dios de mulheres com motivações misóginas em todo o paí­s. As tentativas de feminicí­dio subiram 16,9% em relação ao ano anterior.

Juliana Martins, coordenadora institucional do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo levantamento, afirma que os dados oriundos das polí­cias corroboram a pesquisa Visí­vel e invisí­vel , divulgada em março deste ano. A pesquisa havia mostrado que mais de 18 milhões de mulheres haviam sofrido alguma forma de violência em 2022. Houve crescimento de todas as violências de gênero: feminicí­dio, lesão corporal dolosa, aumento das violências sexuais, stalking e violência psicológica , diz a pesquisadora.

Entre as hipóteses levantadas pelo Fórum para a piora dos indicadores está a redução de investimento em programas públicos de enfrentamento à violência contra a mulher. Na última década, houve o maior corte orçamentário do governo federal para a área da história. Sem recursos, não se fazem polí­ticas públicas. E os serviços que foram afetados pela pandemia permaneceram com funcionamento afetado , diz Martins.

Outro fator analisado por ela é o crescimento dos movimentos ultraconservadores com pautas antigênero. Esse é um obstáculo relevante porque a pauta de igualdade de gênero se tornou um tema delicado de debate nas escolas , argumenta.

Martins afirma que um movimento de backlash , ou seja, reação em sentido contrário, explica o cenário de aumento de violações às mulheres e à população LGBT. “Tivemos o avanço de discussões relevantes para mulheres, como o MeToo, em que elas passaram a reconhecer muitos tipos de violência. Esses avanços geram mais uma reação, uma maneira de tentar restabelecer uma suposta superioridade masculina. O movimento ‘redpill’ e discursos de ódio reforçam e potencializam essas violências”, analisa.

Aumenta número de denúncias

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que, em comparação com 2021, também cresceu o número de mulheres que procuraram delegacias para registrar a ocorrência de lesão corporal por misoginia ou violência doméstica. Foram mais de 245,7 mil notificações no paí­s, um aumento de 2,9% em relação ao ano anterior.

O estado em que o registro de boletins de violência doméstica mais cresceu foi o Amazonas, 92%. Por outro lado, o Ceará registrou redução pela metade, ficando com o menor número entre os estados brasileiros, com 24,7 registros para cada 100 mil mulheres. O Mato Grosso lidera o número de ocorrências, com uma taxa de 631,6 registros a cada 100 mil mulheres, um aumento de 2,6% de casos em 2022.

Os casos de perseguição (stalking) somaram mais de 53,9 mil registros, e as notificações de violência psicológica totalizaram 24,3 mil ocorrências. Como são crimes tipificados recentemente, não houve comparação com anos anteriores.

Como denunciar violência doméstica

Denúncias de violência doméstica, fí­sica ou psicológica, podem ser feitas tanto pela ví­tima quanto por amigos, amigas, familiares, colegas, vizinhos. A Central de Atendimento à Mulher atende pelo número 180, em todo o paí­s e no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita.

O serviço recebe denúncias, dá orientação de especialistas e faz encaminhamento para serviços de proteção e auxí­lio psicológico. O contato também pode ser feito pelo WhatsApp no número (61) 9610-0180.

Denúncias formais devem ser feitas junto à delegacia mais próxima ou por boletim de ocorrência eletrônico, pela internet.

Outra sugestão, caso haja receio em procurar as autoridades policiais, é ir até um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) ou Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) que funcionam nas cidades. Em alguns deles, há núcleos especí­ficos para identificar que tipo de ajuda a mulher agredida precisa, se é psicológica ou financeira, por exemplo, e dar o encaminhamento necessário.

Fonte: UOL