O Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nessa quinta-feira, 20, mostrou piora em todos os indicadores de violência contra a mulher em 2022. Os registros de feminicídios aumentaram 6,1% e foram contabilizados 1.437 registros policiais de homicídios de mulheres com motivações misóginas em todo o país. As tentativas de feminicídio subiram 16,9% em relação ao ano anterior.
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Juliana Martins, coordenadora institucional do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo levantamento, afirma que os dados oriundos das polícias corroboram a pesquisa Visível e invisível , divulgada em março deste ano. A pesquisa havia mostrado que mais de 18 milhões de mulheres haviam sofrido alguma forma de violência em 2022. Houve crescimento de todas as violências de gênero: feminicídio, lesão corporal dolosa, aumento das violências sexuais, stalking e violência psicológica , diz a pesquisadora.
Entre as hipóteses levantadas pelo Fórum para a piora dos indicadores está a redução de investimento em programas públicos de enfrentamento à violência contra a mulher. Na última década, houve o maior corte orçamentário do governo federal para a área da história. Sem recursos, não se fazem políticas públicas. E os serviços que foram afetados pela pandemia permaneceram com funcionamento afetado , diz Martins.
Outro fator analisado por ela é o crescimento dos movimentos ultraconservadores com pautas antigênero. Esse é um obstáculo relevante porque a pauta de igualdade de gênero se tornou um tema delicado de debate nas escolas , argumenta.
Martins afirma que um movimento de backlash , ou seja, reação em sentido contrário, explica o cenário de aumento de violações às mulheres e à população LGBT. “Tivemos o avanço de discussões relevantes para mulheres, como o MeToo, em que elas passaram a reconhecer muitos tipos de violência. Esses avanços geram mais uma reação, uma maneira de tentar restabelecer uma suposta superioridade masculina. O movimento ‘redpill’ e discursos de ódio reforçam e potencializam essas violências”, analisa.
Aumenta número de denúncias
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que, em comparação com 2021, também cresceu o número de mulheres que procuraram delegacias para registrar a ocorrência de lesão corporal por misoginia ou violência doméstica. Foram mais de 245,7 mil notificações no país, um aumento de 2,9% em relação ao ano anterior.
O estado em que o registro de boletins de violência doméstica mais cresceu foi o Amazonas, 92%. Por outro lado, o Ceará registrou redução pela metade, ficando com o menor número entre os estados brasileiros, com 24,7 registros para cada 100 mil mulheres. O Mato Grosso lidera o número de ocorrências, com uma taxa de 631,6 registros a cada 100 mil mulheres, um aumento de 2,6% de casos em 2022.
Os casos de perseguição (stalking) somaram mais de 53,9 mil registros, e as notificações de violência psicológica totalizaram 24,3 mil ocorrências. Como são crimes tipificados recentemente, não houve comparação com anos anteriores.
Como denunciar violência doméstica
Denúncias de violência doméstica, física ou psicológica, podem ser feitas tanto pela vítima quanto por amigos, amigas, familiares, colegas, vizinhos. A Central de Atendimento à Mulher atende pelo número 180, em todo o país e no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, dá orientação de especialistas e faz encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. O contato também pode ser feito pelo WhatsApp no número (61) 9610-0180.
Denúncias formais devem ser feitas junto à delegacia mais próxima ou por boletim de ocorrência eletrônico, pela internet.
Outra sugestão, caso haja receio em procurar as autoridades policiais, é ir até um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) ou Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) que funcionam nas cidades. Em alguns deles, há núcleos específicos para identificar que tipo de ajuda a mulher agredida precisa, se é psicológica ou financeira, por exemplo, e dar o encaminhamento necessário.
Fonte: UOL














