SINDICATO DOS TRABALHADORES DO JUDICIÁRIO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO - FUNDADO EM 28 DE NOVEMBRO DE 1998 - FILIADO À FENAJUFE E CUT

VIDAS NEGRAS

Ato em Porto Alegre exige fim da violência policial e do genocí­dio do povo negro; Sintrajufe/RS estava presente

O movimento negro realizou, nessa quinta-feira, 24, um ato público unificado em Porto Alegre, contra a violência policial e o racismo. A mobilização foi realizada depois de uma série de operações que resultaram em dezenas de mortes no último perí­odo, com destaque para o massacre no Guarujá (SP) e episódios na Bahia, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.

A mobilização iniciou-se í s 17h30min, na Esquina Democrática, no Centro da capital, no dia que marca o aniversário de morte do jornalista, escritor e abolicionista Luiz Gama, figura importante da resistência e da luta negra no paí­s.

O ato fez parte de uma série de manifestações promovidas em todo o Brasil, na Jornada Nacional de Luta pelas Vidas Negras. Foi organizado por representantes dos seguintes movimentos: Coalizão Negra por Direitos, do Movimento Negro Unificado (MNU), Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro), União de Negros pela Igualdade (Unegro) e Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (Fonsanpotma). O Sintrajufe/RS estava presente, assim como centrais sindicais, movimentos sociais e dos trabalhadores e das trabalhadoras, além de parlamentares.


Entre as reivindicações do movimento estão a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais nos uniformes de policiais para prevenir casos de abuso de poder e violência e a proibição de operações reativas, com caráter de vingança, em casos de mortes de policiais e invasões em comunidades.

Povo negro é alvo e maior ví­tima da violência policial

A secretária de Combate ao Racismo da CUT-RS, Isis Garcia, destacou que é inadmissí­vel que as corporações de Estado, que são preparadas para fazer a segurança da população, não nos respeitem . A dirigente sindical afirmou que a população negra acaba sofrendo mais pelo fato de a sociedade ser estruturada em cima do racismo, e é por isso que nós estamos aqui exigindo que parem de nos matar . Ela salientou que não podemos mais admitir e naturalizar uma violência e juntos nós vamos transformar de fato a sociedade, para que tenha o comprometimento de ser antirracista .

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) sobre o í­ndice de mortes violentas intencionais em todo o paí­s mostram que, em 2022, foram registrados 47.508 casos e 76,5% das ví­timas eram negras. Os números constam da última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Já uma pesquisa realizada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) sobre a abordagem policial em seis territórios da Região Metropolitana de Porto Alegre aponta que ser negro, jovem e ter tatuagem são as três principais caracterí­sticas que levam uma pessoa a ser considerada suspeita.

Durante o ato houve manifestações de lideranças de religiões de matriz africana e do fórum ecumênico de Porto Alegre, que recordaram, sobretudo, a morte, no último dia 17, de Bernadete pací­fico, yalorixá e lí­der do Quilombo Pitanga de Palmares, no municí­pio de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Mãe Bernadete, como era conhecida, foi assassinada a tiros, inclusive no rosto. Ela lutava por justiça após o assassinato de seu filho Binho em 2017.

Foi lembrada também a morte do jovem negro Gabriel Marques Cavalheiro após uma abordagem policial, em São Gabriel, no interior gaúcho. Os três policiais militares envolvidos foram absolvidos durante julgamento militar, no último dia 21 de julho, em Porto Alegre. O Ministério Público vai recorrer da decisão.


Direção do Sintrajufe/RS avalia a atividade

Presente ao ato, a diretora do Sintrajufe/RS Camila Telles destaca a parceria do Sintrajufe/RS com todos os movimentos negros que estavam na base da organização da atividade. Estamos permanentemente articulados com as lutas raciais e dentro do Judiciário Federal, instituição fortemente racista como a polí­cia, embora não armada. Também estamos atentos í s cotas raciais nos concursos, pois queremos negros e negras nos mais altos cargos de servidores e servidoras e, sobretudo, na magistratura , afirmou a dirigente.

O diretor Fabrí­cio Loguércio afirmou que o ato foi muito significativo , uma mobilização pelo fim da violência racista da polí­cia e um lamento pelo assassinato da lí­der quilombola Mãe Bernadete e do jovem Gabriel , entre tantos outros casos. Não podemos aceitar calados, caladas, os inúmeros casos de mortes, agressões, prisões sem julgamentos, abordagens violentas, invasões de domicí­lio etc. que têm por motivo a cor da pele, da pele negra , destacou o diretor. Na avaliação de Fabrí­cio, todas e todos os que defendem a democracia e a liberdade se revoltam com essas situações, e o Sintrajufe/RS, que historicamente participa desta luta, não poderia se ausentar .

Diante das últimas ações de execuções e extermí­nios ocorridas em nosso paí­s pelas polí­cias militares, participar do ato foi uma demonstração do compromisso e parceria do Sintrajufe/RS na construção de uma sociedade onde a cor da pele e a classe social não sejam critério para a repressão policial , afirmou o diretor Paulo Guadagnin. Ele entende que é urgente a rediscussão de todo o modelo de segurança pública no Brasil, pois não é mais possí­vel conviver com um sistema herdeiro da ditadura militar, onde as polí­cias são militarizadas e impregnadas por ideologias que consideram o povo pobre um inimigo a ser controlado .

Com informações da CUT-RS